Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2026

Pensamento do dia

Imagem
 

Pensamento do dia

Imagem
 

Pensamento do dia

Imagem
  Contracapa do livro Às Vezes Minto , Alice Feeney

Menos ruído, mais eu

O marido mudou, novamente, de horário de trabalho.  Houve alteração em maio, agora voltou a haver outra. É preciso reajustar o quotidiano. O ram-ram do dia-a-dia. Ontem saí do trabalho e passei no supermercado. Cheguei a casa e não o tinha à minha espera.  Arrumei compras. Comecei a preparar o jantar - peito de frango estufado com legumes.  Enquanto cortava a carne, picava a cebola, juntava temperos e fazia o refogado, fui ouvindo episódios de podcasts. Temas leves, humorísticos. Uma companhia discreta para o final do dia. Com o tacho ao lume, sentei-me a ler. Comecei um novo livro. Estou a gostar. Pus a mesa só para mim. Kobo à frente. Preferi continuar a ler enquanto jantava, em vez de ligar a televisão e acrescentar mais ruído ao dia.  E foi assim até ele chegar a casa. TV desligada.  Primeiro podcasts. Depois o silêncio. Acompanhada de um livro. E foi assim que percebi que ultimamente tenho evitado ruído.  Essencialmente.  Ontem saí do trabalho com...

Na comparação, eu perco-me

Imagem
Recentemente tenho estado mais calada. Mais recolhida. Mais em casa. Mais em mim. E, curiosamente, é quando estou mais neste lugar que mais facilmente me confronto com um tipo de ruído diferente — não o do mundo à minha volta, mas o das histórias que chegam até mim. Os áudios de uma amiga, cheios de vida social, de jantares, de encontros, de concertos, de praia, de movimento. E eu ouço. Às vezes páro o audio para ficar a respirar no silêncio. E sorrio. Ou não.  E algo subtil acontece por dentro. Uma comparação silenciosa começa a ganhar espaço. Como se a vida dela estivesse cheia de momentos altos e a minha estivesse… mais quieta. Mais pequena. Menos interessante. Vazia. Mesmo sabendo, racionalmente, que isto não é verdade. A minha vida também está cheia. Só não está cheia de barulho. Está cheia de livros. De descanso. De casa arrumada. De silêncio. De pausas. De cansaço. De necessidade de recolhimento. Mas há momentos em que isso não parece suficiente. Há momentos em que o mundo p...

Pensamento do dia

Imagem
 

Um raio de sol - entre viagens e descobertas

Imagem
  Acabei de ler Um Raio de Sol , de Astrid Harrewijn, este fim de semana.  Uma descoberta ao acaso, enquanto explorava as novidades no Kobo Plus. O título despertou-me a atenção, li a sinopse e, sem hesitar, mergulhei no livro. A protagonista, Fien, não é uma heroína extraordinária, mas uma mulher comum que, quando a vida lhe tira as referências, decide não ficar à espera que a felicidade volte a bater à porta.  Com medos, inseguranças, e num impulso nascido de um desespero interior, agarra uma ideia aparentemente louca que lhe surge como um bote salva-vidas.  A narrativa acompanha duas viagens. A viagem física, de país em país, passando por casas emprestadas, de desconhecidos, vivendo encontros inesperados e cruzando-se com pessoas tão comuns quanto improváveis.  E a viagem interior, muito mais desafiante e difícil, onde Fien se descobre enquanto mulher e pessoa: quem sou eu quando deixo de ser aquilo que os outros esperam de mim? Quem sou eu desprovida dos pap...

A ilha que sou

Recentemente senti-me desconectada. De mim.  Não por me sentir perdida. Isso foi antes.  Desta vez foi diferente. Foi sentir que estava constantemente voltada para fora — para cumprir, responder, chegar, fazer, corresponder.  A agenda cheia de obrigações. A mente sempre no futuro. O foco permanente no tanto que está em espera e a sensação de sufoco por não conseguir chegar a tudo nos prazos definidos e esperados. Não me senti a falhar.  Não me senti insuficiente.  Senti-me assoberbada.  E desse lugar nasceu um cansaço profundo. Físico, sim, e acima de tudo, mental. Um cansaço em que deixei de encontrar espaço para mim. Para me ouvir. Para estar presente em mim. O ritmo acelerado. O ruído constante de tudo e todos à minha volta.  E naquele dia, num momento inusitado, percebi algo muito simples: eu não estava perdida, eu apenas me tinha afastado do meu trilho. Sem perceber, comecei a andar um pouco para o lado. Aquele lado de onde se ouvem tantas so...

Ansiedade

Imagem
 Ansiedade. Seria a palavra que melhor descreveria o meu mês de maio.  Aquela ansiedade que nasce quando a mente vive constantemente no futuro. Quando começo a entrar em parafuso perante a quantidade insana de coisas para fazer. A agenda profissional a transbordar. Dias que se prolongam para lá da hora de saída. E, mesmo assim, a sensação de nunca conseguir chegar a tudo. Quebrei um limite que tinha definido para mim, em nome do equilíbrio. Cheguei a casa tarde, exausta, e ainda assim liguei o portátil para trabalhar naquilo que exige maior concentração — precisamente aquilo para o qual, durante um dia demasiado preenchido, já não me restava energia nem capacidade de concentração. De repente, tudo se tornou agenda para cumprir. Até aquilo que deveria ser prazer, cuidado, bem-estar. A aula de pilates transformou-se num compromisso que me causava ansiedade. A aula de dança, com o peso acrescido dos ensaios do projeto coreográfico, passou a ser mais uma obrigação. A mentoria torn...