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A mostrar mensagens de julho, 2026

Meu corpo, minha casa

Durante muitos anos, cuidei do meu corpo porque queria que ele mudasse. Procurei ajuda profissional para aprender a alimentar-me melhor, experimentei diferentes abordagens alimentares e empurrei-me para o exercício físico — algo de que nunca gostei verdadeiramente. Tudo isto sem perceber que vivia em luta contra o meu corpo.   À procura de uma mudança que me aproximasse de um suposto ideal: o peso certo para a altura, o tamanho da etiqueta, o padrão da beleza feminina. Como se, ao chegar aí, finalmente encontrasse a sensação de pertencer. E isto era fazer do cuidado uma negociação. "Eu trato bem de ti... se tu me deres outro corpo." Só recentemente comecei a perceber que isso nunca foi cuidado. Foi uma condição. Foi um contrato silencioso. Se emagrecer, gosto mais de mim. Se o espelho corresponder às minhas expectativas, então mereço comprar roupa, tirar fotografias, ocupar espaço. Se voltar a vestir o tamanho 36 que vestia aos 20, vou voltar a sentir-me bem e bonita. ...