A ilha que sou
Recentemente senti-me desconectada. De mim. Não por me sentir perdida. Isso foi antes. Desta vez foi diferente. Foi sentir que estava constantemente voltada para fora — para cumprir, responder, chegar, fazer, corresponder. A agenda cheia de obrigações. A mente sempre no futuro. O foco permanente no tanto que está em espera e a sensação de sufoco por não conseguir chegar a tudo nos prazos definidos e esperados. Não me senti a falhar. Não me senti insuficiente. Senti-me assoberbada. E desse lugar nasceu um cansaço profundo. Físico, sim, e acima de tudo, mental. Um cansaço em que deixei de encontrar espaço para mim. Para me ouvir. Para estar presente em mim. O ritmo acelerado. O ruído constante de tudo e todos à minha volta. E naquele dia, num momento inusitado, percebi algo muito simples: eu não estava perdida, eu apenas me tinha afastado do meu trilho. Sem perceber, comecei a andar um pouco para o lado. Aquele lado de onde se ouvem tantas so...