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O calendário diz que sim. A minha vida diz que ainda não.

Ontem, último domingo de agosto, notei menos gente a fazer praia. Muita gente a passear. Hoje reparei que o trânsito aumentou. Também percebi mais carros no estacionamento do trabalho. Agosto despede-se hoje e já se sente o frenesim da rentrée pós-férias. Confesso que, para mim, que estou em contagem decrescente para as minhas férias grandes — na vida adulta, isto traduz-se em duas semanas —, não estou muito alinhada com esta vibe generalizada. Descansei na primeira semana de agosto. Nestas duas últimas, foi notório e significativo o aumento do volume e do ritmo de trabalho. O lufa-lufa para o arranque do ano letivo. Trabalho numa instituição de ensino superior, embora não a exercer a minha licenciatura de ensino. Faço parte dos quadros técnicos e administrativos. E, enquanto por aqui se começa a falar de regresso, de rotinas e de retomar ritmos, eu estou precisamente a fazer o contrário. Estou à espera da minha pausa. O tempo também começa a dar sinais de mudança. As manhãs ...

Eu queria análises. Ele mostrou Mounjaro.

No último sábado fui a uma consulta de endocrinologia. Não foi a minha primeira. Em 2018 também procurei a especialidade, fiz análises e um check up a nível da tiróide . Estava tudo impecável. Há uns meses senti uma saliência no lado esquerdo do pescoço. Não entrei em pânico, nem hiperventilei, nem fui pesquisar ao Dr. Google ou ao Dr. Chat GPT. Aproveitei que andava a pensar em fazer novo check up a nível metabólico, hormonal e marquei consulta. E foi assim que entrei no consultório: com as análises que tinha feito em 2018, outras de 2023, realizadas no âmbito do acompanhamento de fertilidade, e análises gerais do ano passado.  Sentei-me e disse ao que ia. O caroço. Os 45 anos e o facto de, apesar de não ter sintomas ou indícios de perimenopausa, estar mais perto dessa fase, e querer, por isso, fazer um check up hormonal, metabólico, e à tiróide. E eis que o endocrinologista me indica a balança. Daquelas que medem a consistência da alma. Excesso de peso para a minha altura - já sa...

A serenidade das coisas simples

Ontem, durante o meu momento quase ritualístico de autocuidado, dei por mim a refletir sobre a serenidade e a paz que transbordavam dentro de mim.  Nenhum grande acontecimento provocou essa sensação. Pelo contrário. Foi a própria simplicidade da vida quotidiana. Chegar a casa. Dar um abraço ao marido. Encontrar à minha espera um lanchinho simples e docinho - um palmier que ele acabara de trazer da pastelaria (eu adoro palmiers).  Lancharmos enquanto falávamos sobre o nosso dia.  A seguir, ele preparou o jantar. Eu passei a ferro.  Jantamos descontraídos.  No fim, arrumámos a cozinha  juntos: um punha a loiça na máquina, outro limpava a banca e preparava a marmita para o dia seguinte.  Pelo meio um carinho, uma beliscadela, um toque. Pequenos gestos, subtis, que fazem parte da nossa linguagem. E percebi que isto é muito mais do que estar em casa juntos a dividir tarefas. É sentirmo-nos casa.   Juntos.  Nas rotinas simples do dia a dia.

Dolce Far Nienti

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  Hoje regresso ao trabalho depois de uma semana de pausa.  Uma semana.  Passou rápido demais. E foi vivida em slow motion .  Uma semana de férias em casa. Eu moro na praia, por isso juntei o melhor dos dois mundos: desfrutei do privilégio que é morar numa belíssima praia e aproveitei a minha casa e tudo o que a rodeia. O tempo tem estado magnífico nas praias do norte. Sem nortada. Sem noites frescas e demasiado húmidas. A água do mar está q.b. -  convidativa a mergulhos para refrescar.  Uma semana vivida sem relógio no pulso. De cara lavada e cabelo revolto.  De chinelo no pé, biquíni e vestidos leves a cobrir (pouco) o corpo. Saco com toalhas e o indispensável para horas estendida na areia, com vista mar. Caminhadas.  Ir à esplanada do costume tomar café.  Fazer refeições leves em casa.  O tempo passado em casa era, sobretudo, no terraço.  Os gatos também gostaram desta alteração de rotina. Dei uma nova capa ao meu Kobo, com cara ...

Talasofilia

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Talasofilia. Descobri recentemente esta palavra. Vem do grego thalassa (mar) e philia (amor ou afinidade) e descreve a profunda atração que algumas pessoas sentem pelo mar. Sorri quando a li. Pensei: afinal, há uma palavra para isto. Autodiagnostico-me com talasofilia. Porque a ligação que sinto ao mar é antiga. Profunda. Difícil de explicar a quem nunca a sentiu. Estar perto da praia devolve-me uma sensação de bem-estar que encontro em poucos lugares. O horizonte abre espaço dentro de mim. A ansiedade abranda. O corpo relaxa. Gosto de sincronizar a respiração com o ritmo das ondas. De fechar os olhos e sentir o cheiro da maresia entrar pelas narinas e espalhar-se pelo corpo. Da brisa com sabor a sal que refresca a pele... e a alma. Ontem fui fazer a minha caminhada ao fim do dia. Pouca gente na praia. Pouco ruído. Muito mar. Foi um bálsamo. Um reencontro. Um lugar onde a energia regressa sem esforço. O mar faz parte da minha cura.  É junto dele que encontro o caminho de...

Meu corpo, minha casa

Durante muitos anos, cuidei do meu corpo porque queria que ele mudasse. Procurei ajuda profissional para aprender a alimentar-me melhor, experimentei diferentes abordagens alimentares e empurrei-me para o exercício físico — algo de que nunca gostei verdadeiramente. Tudo isto sem perceber que vivia em luta contra o meu corpo.   À procura de uma mudança que me aproximasse de um suposto ideal: o peso certo para a altura, o tamanho da etiqueta, o padrão da beleza feminina. Como se, ao chegar aí, finalmente encontrasse a sensação de pertencer. E isto era fazer do cuidado uma negociação. "Eu trato bem de ti... se tu me deres outro corpo." Só recentemente comecei a perceber que isso nunca foi cuidado. Foi uma condição. Foi um contrato silencioso. Se emagrecer, gosto mais de mim. Se o espelho corresponder às minhas expectativas, então mereço comprar roupa, tirar fotografias, ocupar espaço. Se voltar a vestir o tamanho 36 que vestia aos 20, vou voltar a sentir-me bem e bonita. ...

Pensamento do dia

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