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Talasofilia

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Talasofilia. Descobri recentemente esta palavra. Vem do grego thalassa (mar) e philia (amor ou afinidade) e descreve a profunda atração que algumas pessoas sentem pelo mar. Sorri quando a li. Pensei: afinal, há uma palavra para isto. Autodiagnostico-me com talasofilia. Porque a ligação que sinto ao mar é antiga. Profunda. Difícil de explicar a quem nunca a sentiu. Estar perto da praia devolve-me uma sensação de bem-estar que encontro em poucos lugares. O horizonte abre espaço dentro de mim. A ansiedade abranda. O corpo relaxa. Gosto de sincronizar a respiração com o ritmo das ondas. De fechar os olhos e sentir o cheiro da maresia entrar pelas narinas e espalhar-se pelo corpo. Da brisa com sabor a sal que refresca a pele... e a alma. Ontem fui fazer a minha caminhada ao fim do dia. Pouca gente na praia. Pouco ruído. Muito mar. Foi um bálsamo. Um reencontro. Um lugar onde a energia regressa sem esforço. O mar faz parte da minha cura.  É junto dele que encontro o caminho de...

Meu corpo, minha casa

Durante muitos anos, cuidei do meu corpo porque queria que ele mudasse. Procurei ajuda profissional para aprender a alimentar-me melhor, experimentei diferentes abordagens alimentares e empurrei-me para o exercício físico — algo de que nunca gostei verdadeiramente. Tudo isto sem perceber que vivia em luta contra o meu corpo.   À procura de uma mudança que me aproximasse de um suposto ideal: o peso certo para a altura, o tamanho da etiqueta, o padrão da beleza feminina. Como se, ao chegar aí, finalmente encontrasse a sensação de pertencer. E isto era fazer do cuidado uma negociação. "Eu trato bem de ti... se tu me deres outro corpo." Só recentemente comecei a perceber que isso nunca foi cuidado. Foi uma condição. Foi um contrato silencioso. Se emagrecer, gosto mais de mim. Se o espelho corresponder às minhas expectativas, então mereço comprar roupa, tirar fotografias, ocupar espaço. Se voltar a vestir o tamanho 36 que vestia aos 20, vou voltar a sentir-me bem e bonita. ...

Pensamento do dia

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Pensamento do dia

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Pensamento do dia

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  Contracapa do livro Às Vezes Minto , Alice Feeney

Menos ruído, mais eu

O marido mudou, novamente, de horário de trabalho.  Houve alteração em maio, agora voltou a haver outra. É preciso reajustar o quotidiano. O ram-ram do dia-a-dia. Ontem saí do trabalho e passei no supermercado. Cheguei a casa e não o tinha à minha espera.  Arrumei compras. Comecei a preparar o jantar - peito de frango estufado com legumes.  Enquanto cortava a carne, picava a cebola, juntava temperos e fazia o refogado, fui ouvindo episódios de podcasts. Temas leves, humorísticos. Uma companhia discreta para o final do dia. Com o tacho ao lume, sentei-me a ler. Comecei um novo livro. Estou a gostar. Pus a mesa só para mim. Kobo à frente. Preferi continuar a ler enquanto jantava, em vez de ligar a televisão e acrescentar mais ruído ao dia.  E foi assim até ele chegar a casa. TV desligada.  Primeiro podcasts. Depois o silêncio. Acompanhada de um livro. E foi assim que percebi que ultimamente tenho evitado ruído.  Essencialmente.  Ontem saí do trabalho com...

Na comparação, eu perco-me

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Recentemente tenho estado mais calada. Mais recolhida. Mais em casa. Mais em mim. E, curiosamente, é quando estou mais neste lugar que mais facilmente me confronto com um tipo de ruído diferente — não o do mundo à minha volta, mas o das histórias que chegam até mim. Os áudios de uma amiga, cheios de vida social, de jantares, de encontros, de concertos, de praia, de movimento. E eu ouço. Às vezes páro o audio para ficar a respirar no silêncio. E sorrio. Ou não.  E algo subtil acontece por dentro. Uma comparação silenciosa começa a ganhar espaço. Como se a vida dela estivesse cheia de momentos altos e a minha estivesse… mais quieta. Mais pequena. Menos interessante. Vazia. Mesmo sabendo, racionalmente, que isto não é verdade. A minha vida também está cheia. Só não está cheia de barulho. Está cheia de livros. De descanso. De casa arrumada. De silêncio. De pausas. De cansaço. De necessidade de recolhimento. Mas há momentos em que isso não parece suficiente. Há momentos em que o mundo p...