Entre a chatice da chuva e a sabedoria das avós
Chuva e chuva e chuva.
Quem já não agenta tanta chuva, que levante a mão ☝
(Acabei de descobrir que o Blogger tem uma galeria de emojis... já me conquistou!).
Perdoem-me, sou nova por aqui, ainda em modo exploração e descoberta.
Eu preciso de luz solar para me abastecer de energia e vitalidade. Este tempo sombrio, cinza, carregado, suga-me a força, a energia vital.
Gosto de ouvir o som da chuva. Sobretudo se estiver em casa, com manta nas pernas e chávena de chá quente nas mãos. Andar de carro à chuva já é outra conversa. Ou a pé. Carregada com mala, mochila, lancheira, guarda-chuva que mal aguenta o vento.
Mas voltemos à poesia da chuva.
Chuva é água que cai.
Água é Vida.
Chuva é abundância na natureza.
Quando me sinto farta de tanta chuva - semanas, meses a chover (é inverno, eu sei) - vem um eco da memória e ouço as minhas avós:
- A chuva faz muita falta.
Um inverno sem chuva era prenúncio de um ano difícil para o cultivo. Ameaça de pouca abundância, de escassez, de falta. De fome.
E este eco da memória desperta-me a consciência: a minha preocupação é a chatice de conduzir à chuva ou molhar os pés. A das minhas avós era haver fome se a chuva não viesse, no seu tempo, em abundância.
Hoje, quando a chuva me cansa, lembro-me das minhas avós. Do que aprendi com elas, mesmo que agora só as possa ouvir dentro de mim. E assim, recordo que a chuva caiu noutras vidas antes da minha, e aprendo a escutá-la com outros ouvidos - não como incómodo, mas como benção. Tal como as minhas avós sabiam: a chuva não era excesso, era promessa de abundância.
E nessa memória, deixo que a água caia, também dentro de mim, ensinando-me a agradecer antes de reclamar.
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