Quando o corpo impõe silêncio

Depois de uma semana emocionalmente intensa, marcada pela libertação de sombras que carregava — e de uma raiva que se soltou ao ver um "tribunal da moral" presidido por quem mais falha —, o meu corpo decidiu cobrar a fatura.

É uma das experiências mais frustrantes da convivência humana: esse ruído que desafia a minha paz e mexe com as feridas da injustiça. E quando o barulho interno demora a acalmar, o corpo trata de impor o silêncio à sua maneira.

Ontem, sem aviso, sem sinais, aconteceu o shut down. Uma gripe com direito a dores de corpo, mal-estar generalizado e um entupimento completo das vias respiratórias derrubou-me. Atirada para o sofá, apaguei.

Hoje ainda estou convalescente. Um pouco melhor que ontem, mas ainda fragilizada. Optei pelo meio-termo: trabalhar em casa, no sossego e no conforto, com a caneca de chá a fumegar ao meu lado e sucessivos reforços de líquidos quentes — porque deixar acumular é uma forma de adoecer duas vezes.

O corpo é muito sábio. Desde que comecei a estar mais atenta aos seus sinais, tenho ganho maior consciência — e aprendi que ele raramente mente. E coloca-me sempre onde preciso de estar.


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