Um raio de sol - entre viagens e descobertas
Uma descoberta ao acaso, enquanto explorava as novidades no Kobo Plus. O título despertou-me a atenção, li a sinopse e, sem hesitar, mergulhei no livro.
A protagonista, Fien, não é uma heroína extraordinária, mas uma mulher comum que, quando a vida lhe tira as referências, decide não ficar à espera que a felicidade volte a bater à porta.
Com medos, inseguranças, e num impulso nascido de um desespero interior, agarra uma ideia aparentemente louca que lhe surge como um bote salva-vidas.
A narrativa acompanha duas viagens.
A viagem física, de país em país, passando por casas emprestadas, de desconhecidos, vivendo encontros inesperados e cruzando-se com pessoas tão comuns quanto improváveis.
E a viagem interior, muito mais desafiante e difícil, onde Fien se descobre enquanto mulher e pessoa: quem sou eu quando deixo de ser aquilo que os outros esperam de mim? Quem sou eu desprovida dos papéis de esposa, mãe, filha, membro da comunidade?
Não há uma mudança grandiosa ou instantânea. Há uma sucessão de pequenos atos de coragem: apanhar um comboio ou um avião, dormir numa casa estranha, falar com alguém novo, admitir um medo, experimentar outra versão de si mesma.
Fien é uma mulher comum. Quebrada, vulnerável, perdida de si. E, no meio do desespero, encontra a coragem para se permitir dar tempo a si própria.
Tempo para parar.
Tempo para se escutar.
Tempo para se descobrir.
O que parecia ser uma fuga à sua realidade caótica, acaba por se revelar um grito de liberdade e um reencontro consigo mesma.
No fim, fechei o livro com a sensação de ter viajado com Fien. E com vontade de lhe agradecer pela companhia — e, quem sabe, de ser um bocadinho mais corajosa nas minhas próprias aventuras.

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