Ansiedade.
Seria a palavra que melhor descreveria o meu mês de maio.
Aquela ansiedade que nasce quando a mente vive constantemente no futuro. Quando começo a entrar em parafuso perante a quantidade insana de coisas para fazer.
A agenda profissional a transbordar. Dias que se prolongam para lá da hora de saída. E, mesmo assim, a sensação de nunca conseguir chegar a tudo.
Quebrei um limite que tinha definido para mim, em nome do equilíbrio. Cheguei a casa tarde, exausta, e ainda assim liguei o portátil para trabalhar naquilo que exige maior concentração — precisamente aquilo para o qual, durante um dia demasiado preenchido, já não me restava energia nem capacidade de concentração.
De repente, tudo se tornou agenda para cumprir.
Até aquilo que deveria ser prazer, cuidado, bem-estar.
A aula de pilates transformou-se num compromisso que me causava ansiedade.
A aula de dança, com o peso acrescido dos ensaios do projeto coreográfico, passou a ser mais uma obrigação.
A mentoria tornou-se mais um horário a encaixar. Mais uma presença a cumprir. Tenho entrado nas sessões com a mente tão ocupada pela agenda que mal consigo estar verdadeiramente presente.
Hoje senti profundamente o desequilíbrio emocional.
A sensação de estar energeticamente drenada. Exausta. Sem clareza. Sem discernimento.
E então aconteceu algo inesperado.
Uma perfeita desconhecida cruzou-se comigo. Interagiu. Abraçou-me.
E eu chorei.
Como se aquele abraço abrisse uma brecha por onde finalmente pudesse sair o peso que tenho carregado há semanas.
Depois desse momento, regressei ao edifício onde trabalho.
Pelo caminho, coloquei os airpods e deixei-me acompanhar pela minha playlist de música espiritual. Fiz respirações profundas. Inspirei devagar. Soltei o ar pela boca.
Parei por um instante apenas para apreciar a paisagem.
O privilégio de trabalhar num lugar com uma vista assim.
Aquele abraço desconhecido. A caminhada. A música. A respiração. O simples ato de parar e contemplar a natureza à minha volta.
Tudo isso foi colo.
Tudo isso foi encontro comigo mesma.
O resto do dia passou comigo um pouco mais calma. Um pouco. O possível. E mesmo esse pouco é caminho de regresso a mim.
Fui à aula de pilates não como mais um compromisso da agenda, mas como um gesto de cuidado para comigo.
E relaxei como já não me lembrava de relaxar há muitas semanas.
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