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Seria de esperar...

Seria de esperar que morando na praia, eu já estivesse com um bonze de fazer inveja. Não estou.  Seria de esperar que já tivesse feito muitas incursões à praia (entenda-se munida da parafernália necessária para estar estendida na areia, em modo "frango de churrasco"). Não fiz. Aproveito muitas coisas que advêm do facto de morar numa praia. Estender-me na areia, de biquíni, é uma das que fica no fim da lista. Há pessoas que se surpreendem. Ou acham que eu na verdade não aproveito este morar na praia, como se isso significasse ter o tempo todo a toalha estendida no areal e o corpinho ao sol. O verão tem sido generoso, com boas temperaturas e poucas nortadas, sim. E durante a semana trabalho, a 17 km da praia onde moro. E aos fins de semana tenho, muitas vezes, outros compromissos e afazeres. E aproveito a esplanada, o passadiço, o comércio local, o mercado do peixe, os restaurantes. Aproveito o meu terraço em fins de dia bons, a fazer uma petiscada com o marido, a brincar com o...

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Tenho andado ausente da escrita aqui. Sublinho o aqui (blog). Recentemente comecei a utilizar um dos cadernos "bonitinhos" que estava lá enfiado numa gaveta, e tem sido muito bom esse discorrer da caneta pelo papel. Autoterapia pura e dura, sem filtros. Sem medos de julgamento ou de opinião alheia não solicitada.  Vejamos, quando nos expomos temos de ter noção que não controlamos as reações, os julgamentos ou opiniões dos outros. Nem mesmo a sua indiferença. Ou a interpretação que fazem do que publicamos. É dos outros. Ponto.  Agora, o meu caderno é apenas meu e para mim. A liberdade de expressão tem outra dimensão.  Não é sobre o meu caderno o que me traz aqui. Na verdade é só e apenas a minha vontade de escrever aqui qualquer coisa, nem que seja uma espécie de sinopse das últimas semanas.  Então já comecei pelo ter voltado à escrita terapêutica. Agora chamam-lhe journaling, no meu tempo de adolescente era diário.  Este mês também me dediquei mais à leitura. Um livro já foi,...

Privilégios de morar na praia

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Ontem a aula de pilates foi na praia: pé descalço na areia, alongamentos, respirações, alguns agachamentos. No fim, ir à água molhar os pés e contemplar o pôr do sol. Simplesmente extraordinário. 

Quando o silêncio é de ouro e o respeito está em vias de extinçao

No fim de semana emocionei-me com o que fui vendo nas redes sociais sobre as homenagens aos irmãos, Diogo Jota e André Silva. A tragédia que levou cedo demais estas vidas, a tragédia que entra sem pedir licença na casa das suas famílias, arrasando tudo num ápice. Vou remeter-me a um respeitoso silêncio, pois estas perdas tão abruptas são extremamente dolorosas e devastadoras, para estar a debitar frases feitas e clichés que soam demasiado ocos diante de um imensurável vazio. Quase tanto quanto me emocionei, também senti vergonha alheia: as palmas das pessoas conforme iam chegando as "celebridades". Ali, naquele momento de profunda dor, não havia lugar a celebridades. Eram amigos e companheiros, que queriam chorar e despedir-se em sossego, em recolhimento. E como se não fosse suficiente, os pseudo-jornalistas em modo abutre: as imagens dos pais, da viúva, de quem chega, as perguntas totalmente descabidas e sem sentido ali, naquele momento. E depois rebenta a polémica sobre a n...

São os passos que fazem o caminho*

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Por estes dias podia ter vindo aqui, a esta caixa de texto em branco, despejar palavras. Teria muito a despejar. A questão é que a sessão de mentoria da semana passada deixou-me naquele estado de quem levou terapia de choque e precisou de silêncio e recolhimento para processar. Ir cada vez mais a fundo nos traumas recalcados há anos é uma viagem solitária, ainda que esteja a ser devidamente orientada. E sim, é denso, é pesado. Enfrento os bloqueios que toda a vida me serviram de defesa, proteção, sobrevivência.  Não me curvo perante a dor. Sei que o caminho é enfrentar e seguir em frente. E tem o seu preço. E demora o seu tempo. Exige resiliência, consistência e coragem.  * Mário Quintana

Sobre dar oportunidade

No verão passado comprei um vestido. Modelo midi, cintado, vibe pin up girl.  Não o usei. Hoje vesti-o pela segunda vez. Recebi elogios. E pensar que estive quase a despachar o vestido, como arrependimento de uma alegada má compra. Ainda bem que lhe dei uma oportunidade. Ao vestido e a mim. 

Silly Season

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Estou naquela altura do ano em que "deprimo" a ver as redes sociais. Época de férias para muitos, o tempo tem estado extraordinário para praia (até para as praias no norte) e eu aqui a definhar entre o horário de entrada e o de saída. Evito redes sociais. Não me apetece levar com as fotos das férias, pés na areia, corpos na piscina, vida em pausa para o merecido descanso. Bate a inveja por estar fechada no gabinete, a ver o verão pela janela. Depois penso que eu gosto de gozar as férias "grandes" no final do verão, quando já todos foram e voltaram e estão a deprimir com o pós férias... nessa altura vou eu meter nojo    Portanto, as minhas férias "grandes" estão marcadas para o final do verão. É esperar um pouco, que há-de chegar a minha vez. Até lá, usufruir o possível e não abrir redes sociais, para não ser acometida por invejite.  Curiosidade: exatamente há um ano atrás estava eu de férias, excecionalmente cedo, por motivos de mudança de emprego. E, cane...