Quando o silêncio é de ouro e o respeito está em vias de extinçao

No fim de semana emocionei-me com o que fui vendo nas redes sociais sobre as homenagens aos irmãos, Diogo Jota e André Silva. A tragédia que levou cedo demais estas vidas, a tragédia que entra sem pedir licença na casa das suas famílias, arrasando tudo num ápice.


Vou remeter-me a um respeitoso silêncio, pois estas perdas tão abruptas são extremamente dolorosas e devastadoras, para estar a debitar frases feitas e clichés que soam demasiado ocos diante de um imensurável vazio.


Quase tanto quanto me emocionei, também senti vergonha alheia: as palmas das pessoas conforme iam chegando as "celebridades". Ali, naquele momento de profunda dor, não havia lugar a celebridades. Eram amigos e companheiros, que queriam chorar e despedir-se em sossego, em recolhimento. E como se não fosse suficiente, os pseudo-jornalistas em modo abutre: as imagens dos pais, da viúva, de quem chega, as perguntas totalmente descabidas e sem sentido ali, naquele momento.


E depois rebenta a polémica sobre a não presença do Cristiano Ronaldo, porque como Capitão da Seleção era obrigação... e não será obrigação de todos ter o mínimo de respeito por quem chora? Já nem digo empatia, pois isso parece estar fora do alcance da inteligência emocional da maioria. Aliás, viu-se com a corrida ao cemitério para tirar selfies nas campas... a humanidade em completo degredo e podridão de valores morais. Respeito, sabem o que significa? É o mínimo. 


E depois deixei de ver. Desliguei das redes. Porque o ver é também alimentar este circo de abutres que se alimentam do sofrimento alheio.


 

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