O calendário diz que sim. A minha vida diz que ainda não.
Ontem, último domingo de agosto, notei menos gente a fazer praia.
Muita gente a passear.
Hoje reparei que o trânsito aumentou. Também percebi mais carros no estacionamento do trabalho.
Agosto despede-se hoje e já se sente o frenesim da rentrée pós-férias.
Confesso que, para mim, que estou em contagem decrescente para as minhas férias grandes — na vida adulta, isto traduz-se em duas semanas —, não estou muito alinhada com esta vibe generalizada.
Descansei na primeira semana de agosto.
Nestas duas últimas, foi notório e significativo o aumento do volume e do ritmo de trabalho. O lufa-lufa para o arranque do ano letivo.
Trabalho numa instituição de ensino superior, embora não a exercer a minha licenciatura de ensino. Faço parte dos quadros técnicos e administrativos.
E, enquanto por aqui se começa a falar de regresso, de rotinas e de retomar ritmos, eu estou precisamente a fazer o contrário.
Estou à espera da minha pausa.
O tempo também começa a dar sinais de mudança.
As manhãs estão mais frescas.
Os fins de tarde também.
Já não se sai de casa sem o casaquinho.
São pequenos sinais.
Quase impercetíveis.
Mas o verão começa a despedir-se aos poucos.
Este verão que é sinónimo de férias, de pausa, de roupas leves e vidas descontraídas, sem horários e correrias.
O calendário diz que sim.
A rentrée diz que sim.
O trânsito diz que sim.
O estacionamento do trabalho também.
Mas eu ainda tenho duas semanas de verão à minha espera.
E, talvez seja essa a minha rebeldia: deixar que agosto termine sem sentir que tenho de terminar com ele.
Ainda há verão pela frente...
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