Talasofilia



Talasofilia.

Descobri recentemente esta palavra.

Vem do grego thalassa (mar) e philia (amor ou afinidade) e descreve a profunda atração que algumas pessoas sentem pelo mar.

Sorri quando a li.

Pensei: afinal, há uma palavra para isto.

Autodiagnostico-me com talasofilia.

Porque a ligação que sinto ao mar é antiga. Profunda. Difícil de explicar a quem nunca a sentiu.

Estar perto da praia devolve-me uma sensação de bem-estar que encontro em poucos lugares. O horizonte abre espaço dentro de mim. A ansiedade abranda. O corpo relaxa.

Gosto de sincronizar a respiração com o ritmo das ondas.

De fechar os olhos e sentir o cheiro da maresia entrar pelas narinas e espalhar-se pelo corpo.

Da brisa com sabor a sal que refresca a pele... e a alma.

Ontem fui fazer a minha caminhada ao fim do dia.

Pouca gente na praia.

Pouco ruído.

Muito mar.

Foi um bálsamo.

Um reencontro.

Um lugar onde a energia regressa sem esforço.

O mar faz parte da minha cura. 

É junto dele que encontro o caminho de regresso a mim.

É nele que volto a encontrar-me quando a vida me leva para demasiado longe.

Há quem vá ao mar nas férias. 

Eu vou ao mar para regressar a casa. 

Talvez tenha sido por isso que um dia escolhi viver junto ao mar. 

Sem o saber, andava apenas à procura de morar mais perto de casa.



 

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