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A mostrar mensagens de novembro, 2025

É no simples que está o belo!

O mundo está repleto de simples milagres.  Um campo de flores que se abrem em múltiplas cores, polvilhando a terra de vários tons. Folhas dançando ao vento, como notas de uma sinfonia celestial. Florestas onde cada árvore carrega a sua própria história. O mar, com a sua força selvagem e indomável, trazendo força e calmaria ao mesmo tempo. A chuva que cai, molhando a terra e renovando a vida que dela brota. A lua cheia iluminando o céu à noite. Tempestades que rasgam o céu, relâmpagos que cortam a escuridão. Estrelas surgindo no céu infinito, lembrando-nos da vastidão e da magia que nos cerca. Cada instante na natureza guarda o seu próprio milagre. Cada movimento, cada brilho, cada som é uma lembrança de que o mundo está vivo e pulsando. Basta abrir os olhos e sentir. E cada um de nós faz parte deste mundo. Cada um de nós é, também, um milagre de vida. E será que conseguimos ou sabemos sentir esse milagre dentro de nós? Em cada respiração. Em cada batimento cardíaco. Em cada ...

Dias Inconstantes, Leituras Imperfeitas

Olho para a minha meta de leituras definida para 2025 e sinto-me em falta. Dos 20 livros que me propus ler este ano, ainda só li 13, iniciei este fim de semana o 14º.  Houve fases de inconstância. Ora li um livro num só dia, ora estive dois meses sem ler.  A inconstância ou impermanência faz parte da natureza da vida. Até as estações do ano andam inconstantes, ora temos um fim de semana de sol seguido de uma semana de temporal bravio. Ora temos um dia com temperatura amena e seguem-se dias com um frio digno do ártico. Uns dias sentimo-nos calmas e serenas, outros num rebuliço emocional. E cansaço. Muito cansaço.  E olhando para a pilha de livros por ler (porque o cansaço não impede acrescentar novos à fila de espera), percebo que o problema nunca é a falta de vontade. É o fluxo natural da vida a empurrar-me, ora para dentro ora para fora de mim, tal como as marés. Se há dias que a leitura me abraça e acolhe, outros há que a cabeça mal consegue agarrar-se a uma única frase. Chega o...

Sentir o Corpo: mergulhar nas camadas e flutuar na presença

Mergulhar no trauma é rasgar camadas. Tantas quantas foram sendo criadas para proteção, capa, armadura. Sobrevivência. Mergulhar no trauma é permitirmo-nos ir a um espaço onde o tempo é uno, sem passado, presente ou futuro. Mergulhar no trauma é calar a mente e deixar o corpo guiar-nos. Sentir tudo o que vier. Deixar vir. E só observar, sem julgar, sem contrariar. Sem fugir ou esconder. O corpo agita-se. Treme. Arrepia. Contrai. A respiração pesa, encurta. As lágrimas soltam-se. A garganta aperta.  Respirar fundo. Devagar. Expirar, como quem se esvazia. É a respiração consciente que nos mantém ligados. E seguros. Quanto mais profundo nos deixamos ir, maior é a sensação extracorpórea. Como se pairássemos entre dimensões. E o tempo se dissolvesse. Sentimos o corpo expandir-se e encolher-se ao mesmo tempo. Tudo é apenas sensação. Apenas presença. Inspira profundo. Expira e solta. E então, numa brecha, surge o espaço entre os acontecimentos e a nossa respiração. O trauma deixa de...

Pensamento do dia

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O tempo lá fora, o humor cá dentro

O dia acordou indeciso. Eu também. Está sol, céu livre de nuvens carregadas. Porém vento frio. Pouco depois chove. Vejo um arco-íris no percurso para o trabalho. Sol, vento, de repente nuvens, chove, abre sol novamente.  De facto, os dias têm andado esquizofrénicos. Na semana passada apanhei chuva, no fim de semana mergulhei os pés no mar. Um dia é inverno tempestuoso. No outro um sereno verão. O tempo muda de dia para dia. E dias há em que passamos pelas estações todas num par de horas. E estas oscilações andam sincronizadas com o meu humor.  Quase como o mistério de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, atrevo-me a indagar sobre o que afeta o quê? É o estado do tempo que afeta o meu humor? Ou será antes que o estado de espírito faz o clima? Como manter o equilíbrio quando tudo parece tão incerto? O desafio logo pela manhã é o dilema: o que vou vestir? Nada muito quente - não está assim tanto frio. Nada muito leve - olha o fresquinho e o nariz que já funga. Visto roupa. Resposta s...

Em parte nada de novo, por outro lado, todo um novo mundo

Já pululam nas redes sociais, qual milho a estalar em pipoca, fotos das árvores de natal.  Nada de novo eu estar com espírito - e vontade - zero de me meter nessa empreitada. Regateei comigo a tradição de desencaixotar o espírito natalício em forma de bolas e restante parafernália, apenas a 1 de dezembro. E vai a tempo, sem me cansar muito.  Portanto, todos os anos busco dentro de mim esse espírito natalício que me costuma faltar na chegada de dezembro. Não antes.  Contudo algo mudou e eu, em novembro, já pensei no assunto e ando aqui consumida. O que mudou e promete vir a ser uma verdadeira (e emocionante)  aventura natalícia doméstica?  Mudou o agregado familiar. Este ano tenho um Apolo, um gato jovem, traquina, brincalhão, e já me imagino a montar as decorações natalícias, árvore incluída, e andar todos os dias a refazer a mesma. Provavelmente várias vezes ao dia. Ou isso ou optar por um estilo "desmontado" de decoração natalícia, em parceria com D. Apolo. Eu monto, ele de...

Metamorfose: entre o medo e a liberdade de ser

Sentir-me insuficiente. Sentir-me não merecedora. Sentir-me inadequada. Sentir que não tenho lugar ou espaço. Para ser vista. Para ser ouvida. Para ser acolhida. Ferida da rejeição. Ferida do abandono. Fui a criança que se sentiu abandonada, sozinha, sem colo, sem proteção. A criança que cedo desenvolveu os seus mecanismos de sobrevivência. Passar despercebida. Não se mostrar. Não chamar a atenção. Não dar trabalho. Não falar.  Não chorar. Não rir. Em permanente estado de alerta. Em vigília. Atenta aos mais ínfimos detalhes... o tom de voz, o bater da porta, o som dos passos, as micro expressões. A criança que esperava a pancada, não o afeto ou carinho. A criança que acreditou que se fosse perfeita, então seria aceite. Amada. E a inadequação aumentava em igual proporção ao sentimento de insuficiência.  Aprendi a calar-me para evitar críticas. Aprendi a "andar em bicos de pés" para não provocar explosões de raiva. Cheguei a acreditar que era uma maldição estar viva e só a mort...