Dias Inconstantes, Leituras Imperfeitas

Olho para a minha meta de leituras definida para 2025 e sinto-me em falta. Dos 20 livros que me propus ler este ano, ainda só li 13, iniciei este fim de semana o 14º. 

Houve fases de inconstância. Ora li um livro num só dia, ora estive dois meses sem ler. 

A inconstância ou impermanência faz parte da natureza da vida. Até as estações do ano andam inconstantes, ora temos um fim de semana de sol seguido de uma semana de temporal bravio. Ora temos um dia com temperatura amena e seguem-se dias com um frio digno do ártico.

Uns dias sentimo-nos calmas e serenas, outros num rebuliço emocional. E cansaço. Muito cansaço. 

E olhando para a pilha de livros por ler (porque o cansaço não impede acrescentar novos à fila de espera), percebo que o problema nunca é a falta de vontade. É o fluxo natural da vida a empurrar-me, ora para dentro ora para fora de mim, tal como as marés. Se há dias que a leitura me abraça e acolhe, outros há que a cabeça mal consegue agarrar-se a uma única frase.

Chega o momento em que me forço a lembrar que metas não são algemas. São guias. São faróis. São rotas com inúmeras possibilidades de reajuste. Às vezes, mesmo com um farol aceso, navegamos devagar... ou mudamos de direção. E está tudo bem. 

Ler não é um peso. É um refúgio. É descoberta. É navegar por outras estórias. E há que ter disponibilidade para sentir e desfrutar dessa viagem.

Provavelmente, este ano não chego aos 20 livros. E, ao libertar o peso de quem falha uma meta, o que realmente importa é continuar a alimentar esta parte de mim que encontra consolo, inspiração e mundo dentro das páginas.

No fim, a leitura - tal como a vida - não se mede pela quantidade, e sim pela profundidade do que nos toca e preenche.

 

 

Comentários

  1. Ler, este ano, tem sido a minha desconexão.
    Ainda só não aprendi a não acrescentar livros à lista dos "por ler".

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