Debaixo de algum céu

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Este livro foi prenda da minha doce m-M. Não conhecia o autor, tão pouco tinha ouvido falar do livro.


A sinopse soou-me bastante interessante. E depois da empreitada de ler a trilogia de Zafón de seguida, este foi o escolhido, mesmo sabendo que vir logo a seguir a Zafón não é tarefa fácil.


Li-o sem pressas, ao sabor da disponibilidade e vontade. Mas quando lhe pegava era difícil largar. Tem um ritmo narrativo acelerado, vidas que se cruzam e entrecruzam, os sons da vida rotineira, os pensamentos de quem não tem coragem de os pensar alto, os medos, os anseios, as dúvidas, as descobertas, as tristezas, as solidões, a solidariedade num momento de crise, a vida que passa independentemente de tudo o resto. 


Um prédio, os seus moradores, vizinhos, uma semana, uma pequena localidade à beira mar: são os ingredientes base para esta narrativa linear, simples, polvilhada com reflexões sobre a vida do quotidiano de pessoas tão comuns, que podia ser qualquer um de nós, ou um dos nossos vizinhos...


Deixo a sinopse e espero que vos desperte a curiosidade, como me despertou a mim.


 


Sinopse


Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças - vizinhos que se cruzam mas se desconhecem - andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive. Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir.

A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens - como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer - e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem.

Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos.

Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu primeiro romance, Debaixo de Algum Céu retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção.

 

 

Comentários

  1. Olá
    Já li este livro mas foi uma seca, porque depois de ler José Luís Peixoto e a forma como brinca com as palavras é dificil gostar de Nuno. 
    Creio que também tem haver com a nossa disposição para a leitura de determinados livros, em certas alturas da nossa vida.
    Um dia com mais calma vou reler-lo e quem sabe a opinião muda.
    Bjs

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  2. É uma escrita crua e num ritmo frenético que à mínima distração perdemos o fio à meada. É diferente. Gostei. Mas acredito que não seja consensual, tão pouco que seja livro para qualquer altura. Há leituras assim: precisam que sejam feitas no "tempo" certo para as apreciarmos, caso contrário, são uma seca, como disseste.

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