Pergunto-me se efetivamente estamos no séc. XXI...
Li, há pouco, uma publicação de uma conhecida no Facebook. Toda indignada por a lei da eutanásia ter sido aprovada (aliás, ainda nem é a aprovação da lei, mas a aprovação para se criar essa dita lei). Escrevia ela que "matar gente é muitooooo mais fácil e menos dispendioso que tratar gente como merece ser tratada!"... e ainda protelava que esta aprovação é um "fabrico da morte".
E eu estive vai não vai para comentar e decidi não o fazer. Não vou alimentar a indignação desta gente que é do contra porque sim. Têm cursos superiores só para serem tratadas por doutoras, pois usarem a massa cinzenta tá quieto.
Olhem para os EUA. Eu sei que não são lá muito exemplares numa série de coisas, mas na saúde o paciente é dono e senhor do seu corpo e saúde. É o paciente que decide e autoriza exames, tratamentos, intervenções cirúrgicas. É o paciente que decide se quer ser reanimado ou não. Quando o paciente é menor ou comprovadamente não está nas suas plenas capacidades cognitivas e de discernimento, então os familiares diretos decidem. Nunca é o médico que decide sozinho.
A realidade em Portugal é diferente. O médico tudo decide. Poucas vezes dá as opções ao paciente e fá-lo escolher. Normalmente fazem os exames que querem ou acham necessários, enveredam por um diagnóstico como se fosse uma verdade absoluta e inquestionável e cujo tratamento fosse apenas um e só um. Se não resultar, logo se vê.
A eutanásia não é uma aspirina ou um Ben-u-ron que vai ser prescrito para qualquer febre ou azia. A eutanásia É UMA ESCOLHA DA PESSOA EM ESTADO TERMINAL, NUM SOFRIMENTO ATROZ, EM QUE VIVER É PIOR QUE A MORTE. A pessoa tem o magnânimo poder de decidir sobre a sua própria vida. Será que custa entenderem esta merda?
Ah e tal fábrica de morte... matar gente é muitoooooo mais fácil... a sério? O médico só aplica a eutanásia se o paciente assim o quiser. E não é obrigado a aceitar a decisão do paciente e pô-la em prática. Assim como acontece muitas vezes com certas cirurgias (a título de exemplo), que não se sentindo seguros de a realizar, passam o caso para outro colega que esteja apto ou seja mais indicado.
Já quando foi a despenalização do aborto havia os indignados que defendiam o "Não", como se o aborto passasse a ser um método contracetivo. Algo do género: não me apetece tomar a pílula ou usar látex, se engravidar marco um aborto, a seguir à manicure. Cruzes canhoto ir abortar sem ter as unhas arranjadas.
Que pariu...
Batem no peito pela liberdade e igualdade e vai-se a ver são todos uns retrógados acéfalos, que acham que a pessoa ter a liberdade de poder decidir sobre a sua própria vida, condenada a um sofrimento atroz e sem esperança de recuperação, é uma fábrica de morte e é andar a matar a torto e a direito (que é mais fácil).
Votou-se num direito, pessoas indignadas! Um direito individual, cuja decisão apenas pertence ao próprio indivíduo. Votou-se numa lei que contextualiza e legitima as circunstâncias em que esse direito é para se fazer valer por quem TEM ESSE DIREITO. Não está a ser desenvolvido um projeto de fábricas de morte, porque é muitooooooo mais fácil matar que tratar. Não se vai parar com a vacinação porque é mais fácil e barato avançar logo com a eutanásia e cortar o mal pela raíz. Ou então é começar desde logo a prescrever o aborto, que assim garantidamente não há riscos no futuro.

Excelente registo!
ResponderEliminarCara amiga, apenas e só a minha opinião. Com uns pós de também indignação por haver pessoas que não distinguem conceitos. Até parece que haver uma lei que prevê o direito de escolha da eutanásia é como liberar o homícidio voluntário. Falamos de direito de escolha. Cada um de nós poder decidir entre tantas coisas o que considera ser melhor para si. Abortar ou não abortar, casar com quem quiser ou não casar, divorciar-se, votar (não é também este um direito que em tempos era exclusivo de alguns), direito a escolher numa fase terminal de grave doença ou condição degradante sem possibilidade de recuperação se quer viver naquelas condições ou não. Um direito de escolher o seu próprio destino. Isto é um poder enorme que cada um tem sobre si próprio, não sobre os outros.
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