Andei numa fase um tanto ou quanto apática. Ou anestesiada. Fazia as coisas, algumas com verdadeiro prazer, mas no geral andava quieta. Não me apetecia escrever, nem ler, nem ver tv, nem falar sobre nada em especial, nem ir a lado algum. Este fim de semana foi bom. E mau. Mau no sentido de no mesmo dia ter recebido a notícia da morte de duas pessoas, que não sendo do meu círculo, eram próximas de pessoas minhas próximas. E esta onda de morte vem dar que pensar. Vem apertar um pouco o coração e fazer-nos tomar consciência, como se levássemos uma valente bofetada, que somos tão pouco, tão frágeis, tão insignificantes. Um morreu na sequência de uma queda acidental estúpida. Caiu, bateu com a cabeça, formaram-se coágulos na cabeça, entrou em coma e aguentou uma semana. Os médicos não conseguiram operar. Deixa dois filhos, que assistiram à queda do pai. O outro, um ano mais velho que eu, foi mais uma vida ceifada por esse cabrão do cancro. Galopante, ávido, mal deu tempo para o que quer qu...