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A mostrar mensagens de julho, 2025

Seria de esperar...

Seria de esperar que morando na praia, eu já estivesse com um bonze de fazer inveja. Não estou.  Seria de esperar que já tivesse feito muitas incursões à praia (entenda-se munida da parafernália necessária para estar estendida na areia, em modo "frango de churrasco"). Não fiz. Aproveito muitas coisas que advêm do facto de morar numa praia. Estender-me na areia, de biquíni, é uma das que fica no fim da lista. Há pessoas que se surpreendem. Ou acham que eu na verdade não aproveito este morar na praia, como se isso significasse ter o tempo todo a toalha estendida no areal e o corpinho ao sol. O verão tem sido generoso, com boas temperaturas e poucas nortadas, sim. E durante a semana trabalho, a 17 km da praia onde moro. E aos fins de semana tenho, muitas vezes, outros compromissos e afazeres. E aproveito a esplanada, o passadiço, o comércio local, o mercado do peixe, os restaurantes. Aproveito o meu terraço em fins de dia bons, a fazer uma petiscada com o marido, a brincar com o...

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Tenho andado ausente da escrita aqui. Sublinho o aqui (blog). Recentemente comecei a utilizar um dos cadernos "bonitinhos" que estava lá enfiado numa gaveta, e tem sido muito bom esse discorrer da caneta pelo papel. Autoterapia pura e dura, sem filtros. Sem medos de julgamento ou de opinião alheia não solicitada.  Vejamos, quando nos expomos temos de ter noção que não controlamos as reações, os julgamentos ou opiniões dos outros. Nem mesmo a sua indiferença. Ou a interpretação que fazem do que publicamos. É dos outros. Ponto.  Agora, o meu caderno é apenas meu e para mim. A liberdade de expressão tem outra dimensão.  Não é sobre o meu caderno o que me traz aqui. Na verdade é só e apenas a minha vontade de escrever aqui qualquer coisa, nem que seja uma espécie de sinopse das últimas semanas.  Então já comecei pelo ter voltado à escrita terapêutica. Agora chamam-lhe journaling, no meu tempo de adolescente era diário.  Este mês também me dediquei mais à leitura. Um livro já foi,...

Privilégios de morar na praia

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Ontem a aula de pilates foi na praia: pé descalço na areia, alongamentos, respirações, alguns agachamentos. No fim, ir à água molhar os pés e contemplar o pôr do sol. Simplesmente extraordinário. 

Quando o silêncio é de ouro e o respeito está em vias de extinçao

No fim de semana emocionei-me com o que fui vendo nas redes sociais sobre as homenagens aos irmãos, Diogo Jota e André Silva. A tragédia que levou cedo demais estas vidas, a tragédia que entra sem pedir licença na casa das suas famílias, arrasando tudo num ápice. Vou remeter-me a um respeitoso silêncio, pois estas perdas tão abruptas são extremamente dolorosas e devastadoras, para estar a debitar frases feitas e clichés que soam demasiado ocos diante de um imensurável vazio. Quase tanto quanto me emocionei, também senti vergonha alheia: as palmas das pessoas conforme iam chegando as "celebridades". Ali, naquele momento de profunda dor, não havia lugar a celebridades. Eram amigos e companheiros, que queriam chorar e despedir-se em sossego, em recolhimento. E como se não fosse suficiente, os pseudo-jornalistas em modo abutre: as imagens dos pais, da viúva, de quem chega, as perguntas totalmente descabidas e sem sentido ali, naquele momento. E depois rebenta a polémica sobre a n...

São os passos que fazem o caminho*

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Por estes dias podia ter vindo aqui, a esta caixa de texto em branco, despejar palavras. Teria muito a despejar. A questão é que a sessão de mentoria da semana passada deixou-me naquele estado de quem levou terapia de choque e precisou de silêncio e recolhimento para processar. Ir cada vez mais a fundo nos traumas recalcados há anos é uma viagem solitária, ainda que esteja a ser devidamente orientada. E sim, é denso, é pesado. Enfrento os bloqueios que toda a vida me serviram de defesa, proteção, sobrevivência.  Não me curvo perante a dor. Sei que o caminho é enfrentar e seguir em frente. E tem o seu preço. E demora o seu tempo. Exige resiliência, consistência e coragem.  * Mário Quintana