Pôr do sol sem dia marcado
Ontem aproveitei a chamada golden hour na minha esplanada preferida, perto de casa. Privilégios de morar na praia, tendo o mar como "quintal". E nesse momento, ao apreciar a vista, sentir a brisa no rosto, enquanto bebia uma cidra e petiscava uma empalhada (malta do Norte saberá), percebi que este simples programa de fim de tarde é muitas vezes relegado para uma sexta-feira, em modo arranque de fim-de-semana. São demasiadas as coisas que deixamos para o fim-de-semana, como se os prazeres só tivessem tempo e espaço para acontecer nesses dois dias. Ou momentos que adiamos para as férias. Ou projetos, ideias, sonhos que empurramos para quando nos reformarmos e tivermos mais tempo livre. O meu pai tinha muitas ideias para a reforma. O meu sogro também. Nenhum dos dois chegou a vê-la. Os sonhos dissiparam-se nesse futuro, destino ao qual não chegaram. Viver com prazer tornou-se um objetivo recente, presente e consciente nos meus dias. Chegar aqui demorou anos. Muitos anos. Era ...