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A mostrar mensagens de março, 2026

Pôr do sol sem dia marcado

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Ontem aproveitei a chamada golden hour na minha esplanada preferida, perto de casa. Privilégios de morar na praia, tendo o mar como "quintal". E nesse momento, ao apreciar a vista, sentir a brisa no rosto, enquanto bebia uma cidra e petiscava uma empalhada (malta do Norte saberá), percebi que este simples programa de fim de tarde é muitas vezes relegado para uma sexta-feira, em modo arranque de fim-de-semana. São demasiadas as coisas que deixamos para o fim-de-semana, como se os prazeres só tivessem tempo e espaço para acontecer nesses dois dias. Ou momentos que adiamos para as férias. Ou projetos, ideias, sonhos que empurramos para quando nos reformarmos e tivermos mais tempo livre.  O meu pai tinha muitas ideias para a reforma. O meu sogro também. Nenhum dos dois chegou a vê-la. Os sonhos dissiparam-se nesse futuro, destino ao qual não chegaram.  Viver com prazer tornou-se um objetivo recente, presente e consciente nos meus dias. Chegar aqui demorou anos. Muitos anos. Era ...

Despir a capa da Salvadora

Durante uma grande parte da minha vida acreditei que estar sempre disponível para os outros era uma forma de ter pessoas na minha vida. Uma forma de gostarem de mim.  E doía quando era eu que precisava de uma mão estendida, de um ombro amigo, de um ouvido disponível - e percebia o quão sozinha eu estava. Fui percebendo que eu era a amiga dos desabafos. Largavam o lixo emocional em mim, saíam mais leves e soltos, e eu ficava sozinha... com toda a carga que tinham despejado. Quando iniciei um processo de terapia e desenvolvimento pessoal comecei a entender o padrão. O meu padrão. As minhas carências, as minhas feridas emocionais. O complexo da "salvadora" que tira todos do fundo do poço e depois fica lá, sozinha. O medo de estar sozinha transformou-se, na verdade, na força que hoje encontro na minha solitude.  Despi a capa da salvadora e ganhei leveza. E espaço para mim própria.  Não foi egoísmo. Foi um imenso ato de amor próprio. Primeiro estranhei, claro. E depois de algu...