Nova moradora

Sinto-me uma estranha numa casa desconhecida.

Tímida, ainda a descobrir os cantos. À procura das ferramentas e utensílios que preciso para começar a dar aquele toque pessoal, como quem tenta, devagar, sentir-se em casa. 

Apresento-me... Pandora. 

Tinha a minha Caixa de Estórias alojada no Sapo. 

E eis que recebo, com surpresa, consternação e profunda tristeza, uma ordem de despejo. O bairro vai fechar, com data marcada para demolição total, que é como quem diz, com jeitinho, tirem tudo daqui porque vai desaparecer para todo o sempre.

Da perplexidade à frustração foi um piscar de olhos. 

E já que o aviso veio assim, seco, duro, assertivo, tratei de seguir as instruções, embalei o conteúdo de anos e mudei de casa. De bairro.

Todas as estórias guardadas na minha Caixa salvaram-se e já estão aqui. Abençoada por a migração ter sido rápida e eficaz. 

Respiro de alívio por não perder pelo caminho anos das estórias que me habitam. 

E, agora que cheguei e salvei o meu espólio, começo a explorar as novidades que esta mudança, à força, me traz.

Grata pela nova casa. Que, em breve, a possa sentir como a minha casa. E que, aqui, se gravem momentos bonitos da Vida.  

Comentários

  1. Continuamos vizinhas! 💖
    Das únicas alegrias neste processo todo.
    Não é preciso presentearem-nós com o prémio “meia-idade” ao fazerem-nos uma destas… 😂

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    Respostas
    1. Continuamos vizinhas, agora num novo bairro. E ajudamo-nos com a mudança, entre caixas e caixotes, exploramos juntas a vizinhança e as funcionalidades das novas casas. Reinventamo-nos nesta mudança forçada, sem que percamos a nossa essência.
      Tão bom ter-te comigo nesta mudança. Tão bom continuarmos vizinhas.

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