Nova moradora
Sinto-me uma estranha numa casa desconhecida. Tímida, ainda a descobrir os cantos. À procura das ferramentas e utensílios que preciso para começar a dar aquele toque pessoal, como quem tenta, devagar, sentir-se em casa. Apresento-me... Pandora. Tinha a minha Caixa de Estórias alojada no Sapo. E eis que recebo, com surpresa, consternação e profunda tristeza, uma ordem de despejo. O bairro vai fechar, com data marcada para demolição total, que é como quem diz, com jeitinho, tirem tudo daqui porque vai desaparecer para todo o sempre. Da perplexidade à frustração foi um piscar de olhos. E já que o aviso veio assim, seco, duro, assertivo, tratei de seguir as instruções, embalei o conteúdo de anos e mudei de casa. De bairro. Todas as estórias guardadas na minha Caixa salvaram-se e já estão aqui. Abençoada por a migração ter sido rápida e eficaz. Respiro de alívio por não perder pelo caminho anos das estórias que me habitam. E, agora que cheguei e salvei o m...