Leituras 2025 (Goodreads)

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Cortesia do Goodreads enviar por email, em jeito de relatório anual, algumas imagens que resumem as leituras de 2025.

Iniciei o ano otimista, a lançar-me o desafio de ler 20 livros. Terminei ontem o 16º. Um thriller daqueles que me agarram até às 5h da manhã (estou de férias). Uma autora que era novidade para mim: Karin Slaughter. Tomei nota do nome num dos podcasts que ouço sobre livros — um perigo estes podcasts, a sério. A lista dos "livros que quero ler" aumenta a um ritmo alucinante. Quem me dera ter o mesmo ritmo — e tempo — para ler.

Emprego de sonho: ser paga para ler livros. O chá ficava por minha conta. 

Escrevia eu sobre esta recente descoberta de uma aclamada autora de thrillers, daqueles mesmo bons, Karin Slaughter. Tenho mais dois livros dela no Kobo para ler. E mais uns quantos na Whislist, à espera da sua vez. Palpita-me que não ficarão muito tempo à espera. 

Um nome a juntar à lista dos meus autores preferidos do género, nomes como Leslie Wolfe, Robert Bryndza, Camilla Läckberg, ou a dupla sueca Hjorth e Rosenfeldt (série Sebastian Bergman), dos quais já li praticamente tudo, sempre à espera da novidade mais recente.

Entre as leituras mais marcantes do ano — e também das mais surpreendentes — destaco Valter Hugo Mãe, O Filho de Mil Homens. Uma leitura recente, já em dezembro, que me tocou profundamente pela escrita poética e pelo contraste delicado entre a rudeza das personagens e a ternura silenciosa que atravessa toda a história.

Em O Filho de Mil Homens, Valter Hugo Mãe apresenta-nos Crisóstomo, um pescador simples, de vida dura e mãos gastas pelo trabalho, mas de uma lucidez e humanidade desarmantes. É nele que habita o pensamento mais profundo — não o pensamento erudito, intelectualizado, mas aquele que nasce da observação silenciosa da vida, da solidão, do desejo de pertença e de amor. Tal como o pastor filósofo de Fernando Pessoa, Crisóstomo pensa o mundo a partir do essencial. A sua sabedoria não vem dos livros, vem do sentir, do cuidar, do acreditar que é possível construir família para além do sangue. Um homem aparentemente comum, mas espiritualmente vasto.

Talvez seja isso que torna esta leitura tão marcante: lembrar-nos de que o pensamento mais transformador não vive apenas nos grandes discursos, mas também na simplicidade de quem vive atento, disponível e inteiro. E é nesse contraste — entre a rudeza da vida e a ternura que a atravessa — que o livro nos toca fundo.

No meio de thrillers que aceleram o coração e de livros que pedem pausa e contemplação, percebo que a leitura — tal como a vida — não se faz apenas de metas cumpridas, mas dos encontros que nos transformam pelo caminho.

Para 2026 poderei ser mais contida na meta definida por um número. Porque o verdadeiro desafio da leitura — e da vida — não está na quantidade, e sim na intensidade com que me deixo tocar. Naquilo que guardo como aprendizagem e que, silenciosamente, me ajuda a evoluir. 

 

Comentários

  1. Acho que temos um emprego de sonho em comum 😅👌
    Ainda tenho de ler O filho de mil homens e ver o filme

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