Férias (parte 2)

O ano passado mudei de emprego no ínicio do 2º semestre. Portanto, se o verão do ano passado foi sem férias, este ano houve dias de férias acumulados para gozar. Duas semanas em agosto, as quais fiquei por casa, e vivendo na praia, foram umas férias bem boas. Duas semanas agora, a apanhar o fim de setembro e o início de outubro.


Hoje é o meu último dia de férias, regressei há dois dias das férias fora de casa. O que também se tornou uma espécie de hábito nos últimos anos, fazer férias nesta altura "fora da época". Mais barato, sim, embora tenha a sensação que já não é tão barato como há uns anitos, até porque a procura tem aumentado nesta altura do ano. Mais calmo, isso sim, mesmo com o aumento da procura, o tipo de turista nesta altura do ano não é mesmo perfil do que faz férias em julho/agosto. Pessoas mais velhas, casais jovens com bebés ou casais sem filhos (insiro-me neste grupo), que procuram umas férias com paz e sossego para descanso. Nada de restaurantes ou esplanadas à pinha, praias a abarrotar e piscinas com confusão e barulho, onde a malta faz corrida para arranjar uma espreguiçadeira.


Adoro estes dias em que o calendário já entrou no Outono, mas o tempo está ótimo, num prolongamento ameno e tranquilo do verão. 


O destino deste ano foi diferente. Costumamos rumar ao Algarve nesta altura. Este ano, por também termos decidido e feito as respetivas reservas mais tarde, o sítio para onde costumamos e gostamos muito de ir no Algarve estava a preços impróprios para esta altura (considerando que já fomos por praticamente metade do valor em regime "Tudo Incluído". Então decidimos abrir horizontes e explorar outros destinos. Sul de Espanha, especificamente Punta Umbria. Uma semana em regime TI (ou AI para ser trendy) no Barceló Punta Umbria Beach Resort.


Sim, ficou mais barato que ir para o Algarve, mais concretamente para o resort Golden Club Cabanas de Tavira, para onde temos ido nos últimos anos. 


Em termos de alojamento, comodidades, serviços, o resort no seu todo, gostei muito mais do Barceló. O regime TI é mesmo TUDO, no Golden Club há muitas limitações nas bebidas no bar, o que faz com que basicamente só tenhamos o café ou bebidas à pressão. Uma caipirinha, paga-se à parte, um gin, paga-se à parte. No Barceló a variedade disponível para consumo no TI é bem maior, o que faz com que não se pague nada extra. 


Considerando que fui cliente destes resorts nesta altura do ano, fora da dita época alta por excelência, é certo que na parte de animação e atividades há menos oferta. E tudo certo. Se eu quero ir para descansar, não será propriamente descanso estar na espreguiçadeira junto à piscina a levar com música aos berros e uma aula de hidroginástica, ou zumba, ou o que seja. Portanto, animação Q.B., quem quiser entretém-se com o bingo à tarde no bar do resort, quem quiser fica na piscina com música ambiente, ou vai até à praia, que foi o nosso programa de eleição, até porque praia espetacular, mar fantástico para uns quantos mergulhos. Havia ainda salas de jogos variados, não faltava com que entreter o tempo. 


Gostei mais dos horários de refeição disponíveis no Barceló. Ficámos no 2º turno, almoçávamos a partir das 14h45 e jantávamos a partir das 21h30. Fantástico. Para nós resultou muito bem, melhor até do que os horários praticados no Golden. 


Serviço de atendimento, limpeza, etc, muito bom. Achei até o atendimento bem mais simpático, uma vez que o Algarve despreza os turistas portugueses para estender a passadeira vermelha aos ingleses e tudo é programado em função destes turistas. 


Portanto, naquilo que é a minha experiência nestes dois resorts, o Barceló Punta Umbria ganhou vários pontos ao Golden Club. 


O menos positivo: a envolvência do resort. Isto é, quem vai para ficar apenas e só no resort, até porque tem lá dentro tudo, Barceló sem dúvida. Quem gosta de sair do resort e vir até cá fora conhecer as redondezas, digamos que Punta Umbria deixou-me muito a desejar. A tarde que viemos passear cá fora deparámo-nos com um sítio fantasma, tudo fechado, não havia sequer espaços comerciais que promovessem atividade e movimento. Um deserto. E é curioso porque eu vivo numa praia e há vida o ano todo, restaurantes, bares, esplanadas, lojas, comércio, atividades culturais (mais no verão, é certo). Em Cabanas a mesma coisa. Ali, parecia o cenário de um daqueles filmes de faroeste, tudo deserto, sem viva alma. Claro que isto ajuda a que não haja gastos extra ao que já se pagou no TI. Se não há uma esplanada para sentar e consumir, não se gasta. Vantagem. Porém, eu gosto de sair do resort, de percorrer os arredores, de sentir a vida social do local. E posso perfeitamente andar em modo passeio sem que gaste mais dinheiro, ainda assim, também faz parte do meu conceito férias conhecer o sítio onde estou para além dos limites do resort, provar os petiscos locais, usufruir do que a localidade tem para oferecer. E em Punta Umbria só vi uma cidade fantasma, tudo deserto, tudo fechado, e na verdade, nas imediações do resort não havia sequer oferta comercial (restaurantes, bares, lojas). Mesmo em frente ao hotel há um centro comercial que mais parecia o cenário de um filme de suspense, um cenário de um crime à espera de acontecer. Lojas fechadas, ao abandono, degradado. 


Resumindo: adorei o resort, a praia, saindo dos limites do hotel, não me cativou minimamente. 


Posto isto, foi muito bom conhecer o Barceló Punta Umbria Beach Resort, experiência 5 estrelas. Dificilmente voltarei porque este tipo de férias para mim, apesar de serem num conceito "dolce fare nienti", não são para ficar exclusivamente fechada durante uma semana dentro de um resort, por muito que ele tenha para oferecer.


 

Comentários

  1. Que saudades que tenho dessas férias fora de época. Até à Sabrininhas ir para a escola, fazíamos sempre essas férias, e bem mais baratas. Esse resort não conheço mas se for mesmo para descansar, deve ser excelente. É triste o facto de não haver nada à volta, mas esse tipo de Resort "seca tudo à volta" :( pois poucas devem sair quando em regime TI. Mas deveriam ajudar a dinamizar a zona, todos beneficiavam... 

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  2. Quem tem crianças na escola é mais complicado tirar férias nesta altura do ano, compreendo. E sim, concordo que estes resorts muitas vezes anulam o que há à volta, porque lá está, são resorts cuja ideia é entrar e só sair no check out. O suposto crescimento económico local cai por terra, e o crescimento económico é praticamente exclusivo do resort. Ainda que, não sendo eu conhecedora de muitos resorts, dos que conheço, este em Punta Umbria é o único que senti não haver "vida" fora dos muros. 
    O do próximo ano já está escolhido (na verdade já fizémos pré-reserva) e teve como critério de escolha a localização e área envolvente ao resort. Confiante que será uma melhor experiência ou pelo menos que irá mais ao encontro dos nossos critérios para férias. E nada como programar as próximas férias, ajuda a reduzir a melancolia do pós férias.

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