Eu ainda sou do tempo...

Dou por mim a usar muito esta expressão. 


Eu ainda sou do tempo em que não havia telemóveis. Ou internet. Redes Sociais?? Nem tal coisa se imaginava. E Inteligência Artificial? Isso era coisa de ficção científica, ao mesmo nível dos temas de alienígenas. 


Eu ainda sou do tempo em que a bola Nívea na praia era o ponto de encontro.


E ainda sou do tempo que não havia bolas de berlim na praia. Havia a batata frita pala pala, havia a bolacha americana, havia gelados da Olá. Ou da Camy. Eu sempre fui team Olá.


Eu ainda sou do tempo em que havia dois canais de TV. Depois passaram a quatro. E foi a loucura passar a ter quatro canais disponíveis.


Eu ainda sou do tempo em que entregava trabalhos escritos à mão na escola. E que modernice quando passaram a ser passados à máquina de escrever.


Eu ainda sou do tempo das cassetes. E dos walkmans.


Eu ainda sou do tempo em que não havia blogs nem journaling. Havia um diário, com um fecho manhoso que nada protegia os segredos que queríamos guardar. E, ingénuas, acreditávamos que sim. 


E às vezes sinto como se tivesse 70 anos. Ou mais. Na verdade, sou do século passado, é um facto. Nascida em 1981, tenho crescido e envelhecido a par desta (r)evolução tecnológica que ganha um ritmo cada vez mais acelerado e alucinante. 


Não vou dizer que no meu tempo é que era bom. O meu tempo também é este. Tenho é idade suficiente para ter conhecido o mundo de outra maneira e com outros recursos. E confesso que às vezes dá saudade dessa vida mais simples e do tempo que corria mais lento. Também foi o meu tempo de criança e adolescência. Naturalmente não havia o mesmo peso de responsabilidades da vida adulta. E aqui quase que arrisco dizer que no meu tempo de meninice é que era bom: brincar na rua, andar de bicicleta, brincar com os cães e gatos, chapinhar no rio com amigos. Comer pão com manteiga ou tulicreme. Desenhos animados na TV era ao domingo de manhã. E chegava. Havia tempo para brincar, ser livre, e criativo. Inventar brincadeiras para entreter o tempo era a nossa veia de "criação de conteúdos". E mais que conteúdos, eram experiências vividas sem público, sem likes e comentários, sem seguidores.


Eu ainda sou do tempo em que o mundo era tão diferente. Não melhor. Não pior. Apenas diferente.


 

Comentários

  1. Dito... e muito bem dito!
    Também sou desse tempo em que os uploads eram feitos com papel químico e os vírus só vinham com febre e ben-u-ron.
    A única "nuvem" que usávamos era a do céu — e mesmo essa, se fosse de trovoada, ainda levava um grito da avó: "Fecha a janela que entra o raio!"
    Confesso que ao ler isto me deu vontade de ir buscar um Tulicreme e ver se ainda sei rebobinar uma cassete com uma caneta Bic.

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  2. Ainda somos do tempo que era mais vida na rua e menos ecrãs. 
    O tulicreme foi substituído pela nutella e deixaram de saber o que era a neura de ter de rebobinar, com jeitinho para não partir a fita, as cassetes. As canetas BIC perduram. Só acho que em vias de extinção está o ato de escrever com elas 

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  3. eu confesso que não escrevo com elas... n posso... se pudesse, provavelmente, n usaria na mesma 

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  4. Somos da mesma geração. Reconheci tudo... só faltou falar em rebobinar as cassetes com um lápis. :)

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