Da perda ao seguir em frente
O ano 2024 terminou com uma perda. Mais uma, considerando que da família de 4 gatos, um partiu em setembro de 2022, outro em março de 2023, e agora mais um em 28 de dezembro de 2024. Curiosamente começou do mais novo para o mais velho. Deste gang de 4, sobrevive o mais velho, quase a completar 19 anos.
A perda de um animal de estimação é dolorosa. Para mim é um elemento do meu núcleo familiar que se perde, e dói. Seja quais forem as circunstâncias. O Gordo partiu por ele, libertando-me daquela que é sempre uma decisão difícil de tomar. Escolheu partir quando eu me ausentei e estava longe. E caramba que doeu tanto.
No dia 27 ele passou o dia bem, comeu com o apetite voraz dele, estava o normal dele. Deixei-os ao fim do dia no hotel onde já tinham estado, com a cuidadora que já conhecem e com quem se deram bem desde início. Refilou com as vizinhas da box ao lado, estava igual a ele próprio, sem eu perceber qualquer sinal do que estava para vir. Na manhã seguinte, bem cedo, estava já no aeroporto e liga-me a cuidadora do hotel, aflita, a dizer-me que ele estava prostrado, sem reação. Liguei ao Hospital Veterinário, ela levou-o de imediato. Já dentro do avião, prestes a descolar, atendo a chamada da veterinária que estava de urgência. Dá-me ponto de situação, faz-me questões sobre o estado dele desde setembro (última vez que ele tinha estado no Hospital), e diz-me que vão fazer tudo para o estabilizar para, então, fazer recolha de sangue para análises. Ao início da tarde, acabada de chegar ao hotel, recebo nova chamada da veterinária: não o conseguiram estabilizar, ele entrou em paragem cardio respiratória. E eu ali, ao telefone, sem ar, sem palavras, com a cabeça a passar em revista os últimos dias, à procura de algum sinal que me possa ter passado despercebido. À distância, com sentimento de culpa por não estar com ele, por não me ter despedido, por não ter percebido algo... foda-se!
Gerir assim o luto foi difícil, e ainda a digerir a notícia da perda, logo veio a preocupação com o que ainda vive e estava sozinho, e fora do seu ambiente seguro, a casa.
Mal cheguei de viagem e o fui buscar, notei a tristeza. Ao contrário das outras vezes em que fica uns dias em hotel, regressou a casa e não amuou com os donos pelos dias de ausência. Triste, numa carência de atenção, não queria estar sozinho. Os primeiros dois dias em casa miava e procurava pelo companheiro. Deixou de o procurar. A tristeza e solidão manteve-se.
Por ele, por não estar habituado a estar sozinho, porque é um gato dócil, meigo, sociável, decidi procurar um novo companheiro. Contactei uma associação, que até à data não me respondeu, contactei uma rapariga aqui da região, Marta Avó, que desenvolve por sua conta um projeto de resgate, reabilitação e adoção de animais. Expliquei o contexto, indiquei que procurava não um bebé, mas um gato jovem adulto ou adulto, que fosse sociável e dócil com outros gatos. Mandou-me fotos de alguns, um breve descritivo, e foi difícil escolher só um e não ficar com todos os que ela sugeriu. A Marta foi de uma disponibilidade e gentileza extraordinárias, um ser humano incrível e inspirador.
Será hoje ao fim da tarde a concretização da adoção. Encontro marcado no consultório da minha veterinária, para check-up e colocação de microchip, a única condição que ela exige no processo de adoção.
A vida segue. E não estou a substituir nenhum dos gatos que já perdi, porque são insubstituíveis. Estou a seguir em frente e a dar oportunidade a um animal, que já passou pelo abandono, de ter uma família que cuide e o ame. Ainda não chegou e já é muito bem vindo. Estou confiante que o gato da casa também dará as boas vindas ao novo companheiro. Depois de umas bufadelas ao "intruso", depressa estarão amigos e companheiros a partilhar o sofá, a manta, o amor dos donos
ResponderEliminarQue corra tudo bem!