Ideias à beira mar

O mar de inverno também tem o seu encanto misterioso. Os tons mesclados de cinza e azul, o rugir das ondas, os resquícios de tempestades longínquas depositados na areia fria. Gosto (quase) tanto de caminhar à beira mar nestes dias como nos dias de sol espelhado nas águas, tranquilas no seu murmúrio suave.
Há umas semanas, nestas caminhadas, surgiu uma pequena frase na minha cabeça. Foi um ou dois dias depois de uma sessão de terapia. Desde então, a frase revisita-me, vezes, sem conta, como que vinda na espuma das ondas. Uma, e outra, e novamente...
a minha dor não sou eu
Por maior que possa fazer-se sentir, não me define.
Por mais forte que possa insurgir-se, não me controla.
Por muito que teime em persistir, não me limita.
eu não sou a minha dor
Sou tanto para além da dor, e parte do que sou veio da dor.
É uma sala de aprendizagem, não uma sala de estar e permanecer.
É um veículo de desenvolvimento, não um navio que afunda comigo lá dentro.
É um percurso, não a casa.
É como as marés. Não é o Mar.
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