Mudança. Transformação. Metamorfose.

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Saí da aula de pilates ontem e vi esta luz ao fundo da rua. Em vez de virar à esquerda para ir para casa, virei à direita. E fui seguindo a luz. Em frente da praia, sentei-me e fiquei ali, só a olhar a suave transição da luz até ao total anoitecer.


Embalada pelo compasso das ondas, fiquei só ali, presente naquele momento. Suave e tranquila. A sorrir por dentro. 


Há uma quietude dentro de mim depois de algumas semanas em turbilhão emocional. Ainda bem. Grandes mudanças se aproximam e eu preciso desta quietude.


Estou em contagem decrescente para cessar funções na empresa que me acolhe há 10 anos e meio. O sentimento de estagnação, bloqueio, frustração, desmotivação colocaram-me a olhar para a porta de saída. Há todo um mundo lá fora. Para que hei-de continuar numa zona de conforto que vai ficando cada vez mais desconfortável? As dores que existiram levaram-me a esse passo de coragem, de fé, de olhar para fora. Aceitar que era hora de sair para algo novo. E assim fiz. Abri-me a outras possibilidades profissionais. E eis-me, agora, na reta final de um ciclo, prestes a iniciar um novo ciclo. 


O desafio de algo novo, novas pessoas, novas aprendizagens não me assusta como antes. Ao contrário, alimenta esta vontade de aprender, crescer, evoluir. 


Vou tranquila. Não saio zangada com ninguém, mesmo havendo sentimento de desanimo e frustração e desvalorização. E foi exatamente por me sentir assim que segui caminho desconhecido, que procurei a mudança. 


Estou tranquila. Apaziguada. 


Estou a curar feridas emocionais profundas, a largar o que já não faz sentido continuar aqui, a lembrar e a doer. O passado é aprendizagem. Tudo o que sou e sei hoje é o resultado das minhas experiências e vivências e do que delas retirei. As dores que me fizeram crescer e amadurecer já não têm de continuar a doer. As pessoas que me feriram são as mesmas que me permitiram aceder a algo profundo dentro de mim e transcender. Não preciso mais de alimentar a raiva usando a dor como combustão. Consome-me. Desgasta-me. Afunda-me. Sufoca-me. E sou eu que o faço a mim própria. Hora de soltar. Cortar. Largar. Canalizar a dor sentida, não para a raiva e o medo, para o amor. Amor que me nutra. Que me acolha. Que me fortaleça. Que me empodere. Que me cure. 


Sinto-me em plena metamorfose, como se largasse todos os resquícios de passado que tenho usado como pele. 


 

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