Ao acaso
Recentemente, muito recentemente, algo como há três dias atrás, voltei a ser abordada como se estivesse grávida:
- É rapaz ou rapariga?
(resposta mental: não binário)
- Parabéns, muitos parabéns (num cumprimento rápido, a passar por uma multidão, enquanto olhavam para a minha barriga).
Fingi demência.
Não consegui foi fingir, como se a minha autoestima tivesse saído incólume. Não saiu. E olhar-me ao espelho foi penoso. Uma merda, portanto. Ainda está a ser. Como comentários que nem 30 segundos duram nos metem na merda durante dias a fio?
Nesse mesmo dia fui até ao recinto da Feira de Março (google it) para ver Os Quatro e Meia. Outra vez. Sim, sou muito fã. Concerto diferente dos outros que assisti, o contexto do local assim o exigia. E tudo bem. A multidão que era esperada, a confusão, tudo expectável dentro do conceito feira de diversões, festa popular, e afins. O que não achei de todo ok foi levar com um grupo de aborrescentes ao lado, em rodinha, a conversar o concerto todo, e a cagarem completamente quer no concerto, quer nas pessoas à volta que estavam efetivamente a assistir com genuíno interesse e entusiasmo ao espetáculo. Contive-me algumas vezes para não lhes dizer que se queriam conversar, haveria certamente outros sítios para o fazer, não ali, no meio de uma multidão a assistir a um concerto. Assim, uma boa parte do espetáculo foi a levar com os gritinhos e conversas, que a minha idade já não me dá paciência para ouvir sem revirar os olhos umas quantas vezes, ainda que haja uma vozinha condescendente a sussurrar: ah a inocência da juventude. E arrogância também. Perdoai-os que eles ainda não sabem para onde vão.
É mesmo tão aborrecido quando nós queremos assistir a alguma coisa e tem outras pessoas que não respeitam quem quer ver.
ResponderEliminarPodiam simplesmente desaparecer dali, ninguém as obriga a lá estar, mas infelizmente o respeito pelo próximo nos dias de hoje é escasso!
Boa semana!
Respeito pelo outro parece um conceito ultrapassado nos dias de hoje. Boa semana.
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