A constante inconstância

Fotos tiradas neste sábado e domingo. Fotos tiradas praticamente do mesmo ponto, com cerca de 24 horas de diferença. E o sol radioso de sábado ficou escondido entre as nuvens de domingo. Quase parece que também o sol tirou o domingo para aquela ronha entre mantas no sofá.
A inconstância é uma das constantes da vida. Não há dias iguais, mesmo que nos pareçam a mesmice de sempre, quando estamos demasiado embrenhados numa rotina em piloto automático. A vida flui. Simplesmente assim. O sol nasce, brilha com maior ou menor intensidade, põe-se, as marés mudam, a noite vem com a lua numa das suas fases, e tudo parece igual. E é sempre diferente. Já vi árvores a florir, anúncios da primavera a chegar, a natureza que se prepara para uma nova estação, que apesar de repetida, é diferente e única. Porque mesmo aquilo que parece repetir-se, não é uma repetição do que foi, é uma renovação, um (re)começo. Um novo nascer.


Penso na dor que ainda me vai consumindo. Penso no sentido que faz (digo já que é nenhum) eu permitir que a dor do passado venha até aos dias de hoje, depois de tantas marés e fases de lua. Como posso fazer isto a mim própria, este desvalorizar, este sentir-me menos, esta comparação que me tolhe e derruba, me atira para um pântano enquanto coloco num pedestral divino a outra mulher que vejo como melhor, incomparavelmente melhor que eu.
Então respiro. E deixo de pressionar a ferida. Olho com amor e cuido de mim. A falta de empatia ou sororidade não é responsabilidade minha. A dor não coube só a mim, mas também a ela. E a sua dor é a sua dor, ela que cuide, que trate, que olhe, que retire as aprendizagens que tiver a reter. Ou não e que repita tudo outra vez. Eu junto os meus cacos, cuido das minhas feridas, deixo sangrar ou tento controlar os danos. Das lágrimas que já derramei, faz-se passado. Agora quero sorrisos. Mereço sorrisos. Os meus, os dos outros, os da Vida.

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