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Há um podcast que gosto de ouvir e no qual costuma ser feita uma pergunta aos convidados: a qual dia não voltarias na tua vida?


Eu sei exatamente a que dia não voltaria, e isto não significa que o apagasse. Esse dia marcou um fim, ao qual se seguiu um começo. E há fins que são necessários. Há dores pelas quais passamos e que, mais tarde, reconhecemos que foi graças àquela dor que houve crescimento, mudança, evolução. Há dias tão maus que acontecem e graças e eles vamos ter possibilidade de viver dias melhores. 


Eu não voltaria ao dia 30 de agosto de 2021. E ainda assim recordo com precisão cirúrgica as horas desse longo dia. 


Hoje recorri muito à técnica da respiração consciente. Para me ancorar no aqui, agora. Hoje. Hoje, 30 de agosto de 2023. O que passou, passou. E o que dói é a memória do tsunami emocional que vivi há dois anos atrás.


Estou aqui. Dois anos depois. Estou aqui. Sobrevivi. Mais forte. Mais adulta. Mais consciente. Mais madura. Uma mulher diferente, numa melhor versão do que fui. 


Não voltaria a esse dia. E ainda assim, não o apago da minha memória. 

Comentários

  1. Para chegarmos até onde chegarmos, tivemos que passar por todos os dias, por todas as tormentas...

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