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Este verão é o verão do não.
Não gozei férias. Não mudei (ainda) de casa.
Não fui à praia, não fui à feira medieval, não fui ao festival do bacalhau, não fui a tantas festas e eventos que acontecem nesta época.
Passeei pelo IKEA, duas vezes (e ainda lá tenho de voltar), comi pernil. Não gosto das almôndegas. Mais uma visita ao Leroy Merlin e desconfio que ganho cotas de sociedade.
Vivo num apartamento que vai ficando vazio, faço gincanas a contornar caixotes. O novo começa a compor-se, até já tem roupas no roupeiro e está organizado, pelo menos para já.
Os dias das férias passaram-se entre limpezas e montagens de móveis, idas a lojas de decoração, artigos de lar, ferragens. Andámos à caça de promoções e melhores preços, comprámos a TV e um conjunto de mesa e cadeiras para o terraço a preços que nos deixaram orgulhosos das nossas pesquisas.
Eu sabia que estas férias de verão seriam assim dedicadas à casa nova e à mudança. Há um ligeiro sabor a frustração porque, nas minhas mais elevadas expectativas, eu mudaria efetivamente para a casa nova agora, a tempo de aproveitar o resto do verão.
As expectativas são minhas, lido com isso. Aceito. Até porque vejo a quantidade de trabalho e investimento feito nestas duas semanas e reconheço que mesmo não estando a mudança concluída, falta pouco. Tão pouco.
Hoje regresso ao trabalho e ainda não estou na casa nova, com esta sensação de ter a vida dividida em dois espaços, sem estar inteira num ou noutro. É uma fase. E a cada dia que passa estou mais perto de ficar novamente inteira, e na casa nova.
Foram semanas que mexeram muito com a minha ansiedade. Houve dias com os nervos em franja. E há momentos que vem esta tristeza e este "foda-se, que férias é que eu tive?". Não tive. Não essas férias de descanso, de passeios, de mergulhos, de petiscos sem horas. Mas se vou olhar para os nãos das minhas férias, não olho para o tanto que está em movimento para uma significativa mudança na minha vida.
E cabe-me a mim escolher para onde olhar.
tal como diz : uma fase e com fim á vista.
ResponderEliminarE nao entendo a questao colocada no penultimo paragrafo, pois se diz que está a construir, e afinal uma opçao.
Como somos todos diferente. Não me importaria se as férias fossem gastas na construção de uma nova opção. è bom a mudança, se é para melhor. Mas, é como digo, não somos todos iguais. Pode ser que ainda consiga gozar uns fins de semana em modo férias.
ResponderEliminarÉ esse o espírito, sim. Eu escolho olhar para o copo meio cheio.
ResponderEliminarA última frase resume tudo! Boa mudança!
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