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Há momentos em que me és insuportável! Nessa dor que ecoa dentro de mim. Em como me senti tão diminuída e destruída. Há momentos em que fica um grito de raiva preso na garganta. Um gutural e ensurdecedor grito de revolta e mágoa. Vou ao chão sem ar. E recuso-me a ficar nesta auto comiseração. Não és melhor que eu. Nem pior. És apenas tu, com as escolhas que fizeste e as consequências que essas escolhas te trouxeram. Não sou o teu carrasco. Nem tu o meu.


Dou um murro no chão e sinto o tremor pelo meu corpo. Fecho os olhos e inspiro demoradamente. Invoco a minha força interior. Sou mais que um farrapo humano tombado no chão. Sou muito mais que a destruição que me causaste. Ergo-me, como se mil mãos de amparassem. Não estou sozinha. Dentro de mim sinto a força do meu clã. Há um calor que me envolve, me acolhe, me fortalece ao erguer-me. Firme, permaneço de pé, ainda de olhos fechados, a inspirar vagarosamente. Sinto-me renascer. Para trás ficou a mulher carente e ferida que eu era. Abro os olhos e o mundo à minha volta está diferente. Não. Não é o mundo. Sou eu. 

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