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Há momentos que tenho empatia por ti. Como mulher. Lembro-te da tua dor. Da tua desilusão. Da queda dos teus sonhos. Do estilhaçar da frágil felicidade que viveste naqueles meses. Tive momentos que até cheguei a sentir culpa por ter destruído o teu sonho idílico. Ficaste à espera, na ilusão de seres a mulher especial, melhor que todas, melhor que eu. Ficaste à espera que ele me descartasse para, enfim, ser livre para ti, todo teu, só para ti.  Lamento que na minha dor aguda, quando descobri a vossa história, tenha provocado a tua queda do pedestal de deusa.


E tu? Lamentas a dor que me trouxeste? Como mulher? Como mulher sabes o que dói, como nos destrói uma traição? Uma traição para a qual contribuíste em plena consciência, num egoísmo desmedido, numa arrogância ímpar. Espreito as tuas lições espirituais de vida e cura e caminho para a felicidade e só me atravessa a lança do teu egoísmo. Para seres feliz destruíste outra mulher. Uma mulher como tu. Com as suas vulnerabilidades, feridas, imperfeições.


Não quero julgar-te. A sério que não. Vi a tua dor. Também sofreste. Todo o teu conto de príncipe encantado ruiu qual castelo de areia fina e translúcida. Também atravessaste um caminho de sofrimento, também tiveste de te curar e reerguer. Quiçá algures com sentimento de culpa. Quiçá não. Culpa de procurares ser feliz? Pois… e quais os limites para “procurarmos” ser felizes? É aqui que vejo egoísmo e arrogância, e sim, não querendo, estou a julgar-te. Tu sabias. Sempre soubeste. De mim. Não me conhecias, é certo. Sabias de mim. E se hesitaste, acabaste a ceder. Para seres feliz. Quebraste-me. Destruíste-me. Era nos escombros da alma de outra mulher que erguias o teu castelo de felicidade.


Um dia vou olhar para trás só com gratidão. Talvez, um dia lembrar-me-ei de ti apenas com gratidão. Ainda não consigo sentir só gratidão. Ainda sinto dor quando me vem à memória fragmentos desse passado onde estiveste presente. Ainda me corta o ar essa memória que acorda, sem aviso, e me lembra esse tempo, que era teu, onde eras tudo. Ainda sofro. Ainda sinto raiva. Ainda me dói(s), nesse instante fragmentado de tempo. 


 

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