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Há uma mágoa cristalizada no meu peito. Um ferida que ainda se abre e dói demais. Esfarrapa-me por dentro, atira-me para o lodo da desvalorização: eu não sou suficiente, eu não mereço esse esforço ou dedicação, eu não sou importante. 


Puta que pariu, como o egoísmo de uns destrói o amor próprio de outros.


Vem, raiva. É à raiva que me agarro para sair do lodo. É a raiva que me faz gritar e agir. A raiva leva à ação. Porque me dá força para me levantar, e sair do buraco onde me coloquei. Outra vez.


Ter noção que o caminho é feito de avanços e recuos, de progressos e retrocessos não faz doer menos num momento de retrocesso. Sinto cansaço. Sinto frustração. Sinto-me perdida, porque voltei atrás e agora temo não encontrar novamente o caminho para seguir em frente. Há aquele momento que tudo quebra dentro de mim. Sinto cada estilhaço a cravar-se na minha pele. Sangro, choro, isolo-me. Estou ferida e frágil e não quero ser vista. Tenho medo. E não sei estender a mão para pedir ajuda. 


 

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