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Ontem fez uma semana que o Patinhas esteve, uma vez mais internado. Prognóstico extremamente reservado e a eutanásia foi assunto em cima da mesa. Para não nos precipitarmos na decisão, ele ficou internado em observação, ficou a oxigénio, a ver se controlavam a hemorragia (nasal), com medicação intravenosa.
Em outubro foi confirmado o diagnóstico de linfoma no septo nasal. Após TAC e duas biopsias. Em outubro, após uma semana de internamento, vivemos dias muito difíceis, com o Patinhas a não comer, a respirar pela boca, prostrado e exausto. Doía-me a alma vê-lo a ir à comida e não conseguir comer, respirava pela boca, ofegante. Enquanto aguardávamos pelo resultado da segunda biopsia, tememos que ele não sobrevivesse até termos um diagnóstico. Para não prolongar o internamento, que por si só gera stress e o faz deixar de comer, íamos com ele todos os dias ao hospital veterinário para receber soro e medicação intravenosa. Em casa era alimentado com patê através de seringa. Humedecia ração para ver se o estimulava a comer. Foram dias difíceis, em que eu ia pensando que estava a chegar o fim e não valia a pena prolongar aquele estado. A equipa médica punha hipótese de ser alimentado por sonda, caso não começasse a comer por ele. Fui adiando essa decisão, até porque não sabia se valia a pena chegar a esse limite. Ao fim de uma semana ele começou a melhorar. Com o resultado da biopsia, foi possível um diagnóstico mais aproximado do que se passa e foi possível ajustar medicação.
A partir daí houve melhorias significativas. Começou a comer por ele, recuperou peso, respiração tranquila. De vez em quando uma ou outra secreção nasal com sangue, um ligeiro corrimento, nada de grave.
Temos consciência que o tumor não tem cura. Tem respondido bem ao tratamento com corticóides, dosagem ajustada conforme ele foi recuperando o seu peso. Estamos conscientes que é totalmente imprevisível a evolução do tumor. Temos noção que a toma de corticóides a longo prazo traz outros riscos associados, outros efeitos secundários. Estamos avisados para poder haver convulsões, hemorragias internas (a localização do tumor, muito perto do olho e do cérebro é um factor acrescido de risco).
No último dia do ano ele teve uma severa e incontrolável hemorragia nasal. Corremos para o hospital veterinário. A eutanásia em cima da mesa, cada vez mais real e próxima. Se não conseguissem controlar a hemorragia, se a hemorragia não fosse só externa, mas pior, interna... o quadro era sombrio. Foram 48h de coração apertado, a pensar que ele não regressava a casa. Regressou. E os primeiros dias ele estava mais prostrado, em baixo, com respiração ruidosa, pelo nariz, mas felizmente a comer por ele. Não chegámos aos extremos de outubro. Foram dias em que estávamos demasiado atentos a tudo, à espera daquele sinal para deixar de insistir. Uma hora a mais era uma vitória.
Foi melhorando. A cada hora. A cada dia.
Ontem à noite estava no sofá a ver os episódios da semana das séries que acompanho, e ele veio para o meu colo. Deitou-se ao longo do meu braço (e 7 kg de gato assim no braço é coisa para começar a ficar dormente e desconfortável), com a cabeça no meu ombro, encaixado entre o meu queixo e o ombro. Respiração suave, o seu doce e tão característico ronronar. Fiquei ali, rendida e presa àquele instante. Quis tirar uma foto mas não conseguia mexer-me muito sem ele sentir. Então deixei-me estar quieta a saborear aquele doce momento. Uma semana antes e nada fazia prever que ele aguentasse ou sequer houvesse alguma melhoria do seu estado. E houve. Ainda não chegou aquele momento, que sei bem que chegará. Ainda não. E foi mais uma semana. E que venha outra, se possível.
Hoje registo aqui a memória do momento de puro amor que ontem vivi. A deliciosa vitória de mais uma semana de sobrevivência, em bom, com qualidade de vida, e sempre com muita doçura e ternura.
Inicio uma nova semana com outro animo, uma renovada esperança de ter mais tempo para aproveitar.
Um xi apertadinho para ele
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