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Não aprecio a obra de José Saramago. Nem a sua escrita. Nem o estilo. Nem nada.
Então arrelia-me um bocadinho ouvir coisas como "obviamente, o meu escritor preferido é, claramente e como não podia deixar de ser, o nosso José Saramago" e outras que tais.
Pois então que, para mim, advérbios como obviamente, claramente, ou locuções como tinha de ser, que transmitem este cariz de verdade universal, inquestionável e de obrigatoriedade moral mexem aqui com a minha bílis.
Herege que sou, reafirmo: não gosto de Saramago. Da escrita. Também não tinha qualquer tipo de simpatia pela figura.
Das verdades universais, inquestionáveis e das obrigatoriedades morais, não lamento ser do contra ou, apenas ter gosto e voz própria. Assim como assim, nunca tive muito jeito para seguir "rebanhos" só porque sim.
P.S. Ainda vou dar uma oportunidade para ouvir mais episódios de um podcast sobre livros, que descobri recentemente. Claramente o episódio dedicado, exclusivamente, a José Saramago vai ser passado à frente.
Confesso.....também nunca li nenhum livro dele
ResponderEliminarOlá!
ResponderEliminarJá li muitos de livros de Saramago... E gosto, upsss
Mas confesso que em certos livros, a escrita é um bocadinho enfadonha!
Eu tentei. E desisti. E tentei novamente. E desisti. E quase que tive de estudar na cadeira de literatura, mas o meu professor na altura também não gostava e passou ao lado
ResponderEliminarE tudo certo para quem gosta. O que me aborrece não é gostarem. É tomarem por verdade absoluta que Saramago é o escritor preferido de qualquer português, quiçá porque é prémio Nobel.
ResponderEliminarPosso concordar com o conteúdo do post e gostar do Saramago? É isso que faço.
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ResponderEliminarNão sobre gostar de Saramago. É sobre a premissa, como se fosse "obrigatório" gostar, obviamente, como não pode deixar de ser, claramente é o escritor preferido de todos os portugueses.
Olá!
ResponderEliminarEu tenho uma experiência um pouco diferente. Não me recordo de alguém que goste de Saramago. Geralmente, sou a única pessoa que adora. Pois. Adoro Saramago, confesso.
E, lá está: vê-se logo que a minha experiência é diferente, pois senti a necessidade de acrescentar um "confesso", como se sentisse alguma culpa por divergir das opiniões que conheço.
Ainda bem que li os outros comentários e respetivas respostas, porque vinha mesmo discordar de si, quanto à condição de se pertencer a um rebanho por se gostar de Saramago. Eu acho exatamente o contrário (ainda que discorde de que pertence a um rebanho quem não gosta.)
Mas nem sempre gostei, também. Um dia, abri um livro e a "prisão" deu-se logo nas primeiras linhas. Acho que é um escritor de uma sensibilidade enorme nas suas observações acerca da condição e comportamento humanos, com um sentido de humor subtil, mas, como a sua escrita, pungente.
E mesmo ao estilo da escrita acabamos por nos habituar.
Digo eu, que gosto muito de Saramago.
Obrigada pela partilha.
ResponderEliminarA referência a "rebanhos" é generalista e não particularizada ou apontada para os fãs de Saramago. Por "rebanhos" entenda-se aqueles movimentos com pouco fundamento. Exemplo: vira moda a dieta paleo, e comer paleo é que é tudo de bom e saudável e quem não come paleo é um ovo podre. Ou substituir paleo por jejum intermitente. Ou por papas de aveia. Ou por outra coisa qualquer que de repente virou moda ou tendência ou, no caso de Saramago, uma obrigatoriedade cultural do cidadão português.
Sim, sim.
ResponderEliminarEu depois percebi a que se referia. Perfeitamente.
Também não sou pessoa adepta dessas "obrigatoriedades" existenciais e que me parecem ser uma tendência: eu valido os meus gostos se os outros gostarem do mesmo que eu. Ou seja, deve haver quem tenha sentimentos de culpa por gostar, digamos, por exemplo, de ouvir música popular portuguesa, e que, para mitigar um pouco esse sentimento, dirá: porque todo o português, se é português, no fundo, gosta.
Se calhar, quem diz que, obviamente, tudo o que mexe em Portugal gosta de Saramago terá esse mesmo sentimento. Não sei, especulo, apenas.