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Voltar aos dias de dor. Regressar àquele momento de enorme impacto emocional, que numa fração de segundo causou estragos que levarão tempo, muito tempo para reparar. Se é que há reparação possível. As cicatrizes ficam, não me iludo. 


O tempo vai passando e estas visitas ao passado vão-se tornando menos frequentes, mais esporádicas. Deixam de ser visitas em que se vai de bagagem para uns dias, para as chamadas "visitas de médico". E aqui percebo o caminho já percorrido, o que já me cuidei e tratei para curar as feridas. O caminho é longo. Paciência comigo, com o meu processo, com as minhas dores. Permitir-me. Sem culpas. Ter raiva faz parte da cura. E sentir medo. Precisei esvaziar-me da raiva para ser capaz de partir para a empatia. E para a aceitação. Tudo acontece como tem de acontecer. E diria, se poeta fosse, que até no meio do esterco nascem flores. E agora, no presente, posso dizer que sim, algo de bom veio depois do muito mau. 


Hoje deixo aqui a minha nota mental para os dias vindouros: não preciso lutar contra o meu passado. Posso viver o meu presente em paz. 

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