14.12.2022

Os dias de chuva entristecem-me. Atiram-me para uma letargia indolente. Na verdade queria atirar-me para o sofá, cobrir-me com a manta, uma chávena de chá a fumegar. Na TV, um qualquer filme da Hallmark a passar ao fundo, com cenários natalícios e um romance simples e previsível, exatamente o que não é na vida real e quotidiana. Certamente acabaria a perder-me nas páginas do livro que ando a ler, um thriller que acelera o batimento cardíaco e apressa o virar das páginas. 


Os dias de chuva convidam-me a este recolhimento. E é preciso. E sabe bem. De vez em quando. Ou quando sentisse essa vontade de abrandar o ritmo.


Já estes dias de chuva intermináveis, com as notícias de inundações e estragos e pessoas em desespero, o mundo real a gritar neste caos faz-me lembrar os idos tempos de pandemia, quando se murmurava #estamostodosnomesmobarco. Sendo que barco é um termo genérico para uma analogia universal. A alegoria mais verosímil seria a de alguns estarem num iate e muitos outros num bote. 


 

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