Hora de regressar

Três meses. Os últimos três meses foram um desafio constante, a vários níveis: pessoal, profissional, familiar, emocional.


Amanhã regresso ao local de trabalho. Amanhã retomo as aulas de dança. Quer um quer outro estarão diferentes dadas as circunstâncias, mas já se sabe que desde há três meses que o mundo tal como o conhecemos deu uma volta de 180º. As rotinas como as conhecíamos mudaram, sofreram ajustes, readaptaram-se aos novos tempos, às novas necessidades e cuidados.


Estou feliz por voltar.


Estar permanentemente em casa foi um desafio com altos e baixos, com pontos positivos e negativos, com vantagens e desvantagens. 


Agora é hora de regressar ao trabalho de uma forma mais próxima do normal que conhecia há três meses atrás e estou tranquila, aliviada e sedenta de voltar a pôr o pé no mundo lá fora e sentir que a minha casa é o meu ponto de refúgio e não a minha prisão. Voltar a ter este equilíbrio de ter os meus espaços devidamente separados: casa é casa, trabalho é trabalho. 


O que mudou nestes três meses?


Eu.


E como este caminho de transformação e autoconhecimento é difícil de fazer, tomei a difícil (para mim) decisão de procurar ajuda profissional. Já comecei a trilhar o caminho sozinha, com auxílio da prática de Yoga, de meditação. Quero mais, preciso de mais. Acima de tudo sei que preciso de ajuda e orientação neste percurso de autoconhecimento. Porque sei que será difícil, duro de enfrentar, duro de digerir... e por isso o tenho evitado e vou recorrendo a pensos rápidos para ir aguentando. Chega de pensos rápidos. 


O ano 2019 foi mau. Escrevi várias vezes sobre isso por aqui. 2020 chegou com a minha promessa de procurar a minha cura. Ironicamente um vírus atirou o mundo para um isolamento social e fez a vida parar. E se calhar era mesmo isso que precisava(mos). De parar. De ter tempo para olhar para dentro de mim, para a minha vida, sem interferências exteriores que servem sempre de desculpa para ligar o piloto automático, enfiar a cabeça na caixa de areia e deixar rolar porque tem de ser. Se quero mudar, tenho de fazer diferente. Se preciso de ajuda e orientação, então que seja. 


Coincidência ou não (eu acho que não), estou eu há duas semanas a dar os meus primeiros passos (pequeninos) neste processo de cura interior, de autoconhecimento, quando esbarro com uma página de Instagram e subsequentemente o canal de YouTube. E fico ali a explorar e a deixar-me envolver. Quis o acaso que me cruzasse com o que poderá ser a ajuda que preciso? Seja... vou embarcar neste desafio, nesta viagem. 



Respiro fundo. 


Amanhã será o dia de regressar ao mundo e sair desta bolha. Que seja a metáfora para um renascer, o primeiro dia de uma nova fase, uma fase de mudança. Espero que de conquistas também. 


 

Comentários

  1. Pandora, 
    Já falámos nisto algumas vezes... parafraseando uma frase batida e também. de certa forma, abordada no teu texto, se querer que o resultado seja diferente, não podes continuara  fazer igual. se chegaste até essa conclusão, já é um óptimo sinal. É indicativo que sentes que precisas mudar. E espero e gostaria muito que as tuas mudanças fossem no sentido da felicidade, e sei que vão ser! Por isso, usa da tua força interior - que eu sei que mora aí, só precisa que lhe dês bom uso - e vais conseguir chegar à tua paz e á mudança tão desejada.
    Pedir ajuda não é nenhuma vergonha; às vezes, precisamos de uma mão mais experiente para nos ajudar a subir aqueles caminhos mais íngremes, com muitas pedras soltas, que nos ajude a dizer onde devemos pisar. para depois conseguirmos caminhar sozinhos em direcção ao futuro e deixar  passado definitivamente bem resolvido, porque já passou e nada o fará mudar. Só uma máquina do tempo, mas isso é só uma utopia.


    Beijinho, querida Pandora. Que comeces o caminho da mudança, saindo de sombras em direcção à luz que te vai iluminar os dias!
    Força!

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  2. Não é por falta de consciência dos meus bloqueios e limitações, nem a conclusão veio agora. Agora veio talvez a coragem e força de fazer diferente, de tentar, de arriscar, de procurar orientação e ajuda. Agora veio o respirar fundo e aceitar que há um longo percurso a fazer, que não será fácil, mas do qual eu não quero mais fugir ou evitar. O meu corpo tem dado sinais de esgotamento. Corro diferentes especialidades médicas à procura de problemas que não existem. E o corpo continua a dar sinais. Parei para o ouvir. Para perceber que eu sou a solução. Sempre fui.

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  3. Para a frente é que é o caminho. Abraço virtual mas mega gigante ;)

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