O segundo volume já foi!
Já se passaram duas semanas desde que acabei o segundo volume da saga Sebastian Bergman. E nestas duas semanas ainda não posso dizer que já tenha avançado para nova leitura. Dá para imaginar o quão intenso foi este segundo volume? Pois, agarrou tanto que poucos dias duraram as quase 700 páginas e agora só me apetece ler o terceiro e quarto volumes (mas ainda não os comprei e são livros com um preço superior a 20€ cada
).
O Discípulo foi uma leitura viciante, que inicia precisamente no ponto onde o primeiro volume terminara: Sebastian Bergman descobre a identidade da filha que desconhecia existir até ao momento em que descobre, após a morte da mãe, umas cartas que ela guardou anos a fio, juntamente com esse segredo.
Para Sebastian esta revelação é a oportunidade de voltar a encontrar um sentido e um rumo na vida, depois de ter perdido as duas pessoas que mais amou: a mulher e a filha, que viu morrer num tsunami.
No segundo volume descobrimos mais sobre este ambíguo protagonista, de moral muito questionável e comportamentos politicamente incorretos, que afastam todos de si. Ele é tão cheio de camadas, que as vamos desbravando e descobrindo o ser humano complexo que ele é, ao mesmo tempo que ficamos fascinados com a sua inteligência, com a sua capacidade de ver muito além do óbvio, a frieza com que analisa factos e comportamentos da mente humana.
Sebastian enfrenta dois grandes desafios neste novo volume: por um lado o dilema interior de desvendar à sua filha, que ironicamente conheceu recentemente em contexto de trabalho na Riksmord, que é o seu pai biológico; por outro lado, terá de enfrentar o seu maior adversário, o serial killer que o consagrou como profiler genial e lhe deu toda a fama e reconhecimento: Edward Hinde. Três mulheres são assassinadas com um modus operandi em tudo semelhante aos assassinatos de Hinde há 15 anos atrás. Além da réplica exata dos assassinatos, mais aterrador ainda é descobrir que as mulheres assassinadas estão relacionadas com Bergman. Se Hinde está preso em segurança máxima, isolado do mundo, sem qualquer contacto permitido com o exterior, como pode haver um imitador com tamanha precisão? Quem é o Homem Alto que executa, com um perfeccionismo extremamente rigoroso, todos os passos de um ritual? Porque serão estes crimes um ataque pessoal a Bergman? Que mulheres que passaram pela vida dele estarão em perigo? E a filha, que todos desconhecem e mesmo ele só recentemente a descobriu, correrá perigo?
Ao contrário da maioria dos thrillers, não é a descoberta do assassino que nos faz devorar páginas com apetite voraz. Cedo percebemos que Hinde está por trás desta vaga de assassinatos, como se estivesse num jogo de rato e gato com Bergman. O que move o leitor é perceber como, porquê e até onde vai conseguir chegar para atingir Bergman, que se encontra num momento muito frágil da sua existência, a debater-se com demasiados demónios interiores.
O duelo de génios entre Hinde vs Bergman é absolutamente fascinante. Um encarna o puro mal, um psicopata que tem tanto de inteligente como de cruel, e nem mesmo o seu trágico passado de abusos nos faz ter alguma empatia por um ser tão manipulador e perturbador. O outro debate-se constantemente consigo mesmo, num confronto de emoções e sentimentos que renega, como se admitir que tem emoções o enfraquecesse.
O universo psicológico humano, com estes escombros sombrios, é apresentado com uma naturalidade simultaneamente arrepiante e fascinante. Quais são os limites do ser humano? Até onde vai para fazer mal a outro ser?
Um desfecho de cortar a respiração. Intenso. Assustador. Uma sucessão de cenas de crescente intensidade que nos tira o fôlego.
E depois do clímax, quando o leitor retoma a calma e começa a respirar, o livro termina, à semelhança do seu antecessor, com uma nova ponta que é desvendada e fica solta, ali a pairar sob os nossos olhos. É que só queremos saltar para o livro seguinte nesse mesmo instante.
A vida de Sebastian Bergman é uma autêntica caixa de Pandora. E eu, confesso, estou em pulgas para conhecer as próximas estórias.
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