É uma questão de humildade (ou total falta de)

O que é Humildade?



Humildade é a qualidade de quem age com simplicidade, uma característica das pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba.


 


Já ando nisto dos blogs há algum tempo. Tempo suficiente para seguir alguns há anos, para assistir a ascensões e declínios, para largar uns e descobrir outros, para estreitar relações, para assistir de longe ao que cada um decide partilhar. 


E há uma coisa que me custa um bocadinho. Gente anónima, que veio do nada e saltou para a ribalta pelo blog. Sem dúvida tem o seu mérito pelos conteúdos, dedicação e empenho, mas poderiam ter isso e continuariam a ser nada se não tivessem leitores, muitos leitores, milhares de leitores. E o que me custa é perceber que nesse percurso de ascensão a humildade ficou algures numa curva apertada. 


Se alguém cria um blog de economia doméstica, organização, dicas de gestão de tempo, receitas, planeamento, um blog que ao fim de anos mantém cativos milhares de leitores e seguidores e, com todo o mérito, mantém-se em alta pelo interessante e variado conteúdo, cabe ao autor ser humilde para aceitar que vai receber milhentas perguntas e pedidos de ajuda, sobre coisas que provavelmente já perdeu a conta ao número de vezes que escreveu. E mais lhe compete ainda humildade para responder a quem alimenta a sua popularidade e notabilidade.


Portanto, causa-me assim uma azia na bílis quando leio nas redes sociais que estes influencers da vida moderna alimentam a toda a hora do dia (that's their job, I know) as suas reações às questões dos leitores. 


"Perguntam-me como consigo poupar tanto na comida e na conta do supermercado. Há que procurar, ir a superfícies comerciais diferentes e comparar preços, ir a feiras e mercados biológicos, explorar o comércio tradicional. Nunca é boa ideia fazer as compras todas no mesmo sítio. Não têm tempo? Não se pode ter tudo!"


Ora este não se pode ter tudo é, no meu entender, uma grande cuspidela em cima de quem alimenta o ego (e não só) desta criatura. 


Até porque, e vejamos, a criatura é bafejada pela "sorte" de poder ser uma stay home mom. Não tem de picar ponto, aturar patrões, cumprir uma infinidade de tarefas, viver em contrarrelógio para chegar a horas, sair a horas, enfrentar trânsito, filas, etc...


A criatura, nos seus tratados de organização vai expondo as suas rotinas: à sexta lava roupa, que assim na segunda quando a senhora que lhe passa a ferro e limpa a casa for, já tem a roupa seca. Às segundas cozinha para a semana toda. Aos fins de semana leva os filhos a sítios diferentes para eles conhecerem e não se aborrecerem. Acredito que nos restantes dias sobre tempo para uma gincana aos supermercados, feiras e mercados e comércio tradicional. Obviamente tudo documentado em fotos e vídeos para o Instagram e semelhantes. 


Só assim, efetivamente, consegue reunir todo o material e informação necessária para os seus posts de economia doméstica, dicas de organização, planeamento, receitas, todo um material que mantém um vasto público interessado e ligado aos seus canais de comunicação. Right, that's her job. And that's okay!! 


Mas por favor, esse tipo de respostas a quem pede ajuda porque almeja ser como a mestre, mas está a anos luz de ter as mesmas condições de vida que a mestre tem, é só de uma falta de respeito e consideração para quem a idolatra e lhe alimenta o ego (e não só). 


Humildade. É apenas o que tenho a dizer. 


 


Comentários

  1. muito bem apreciado sim senhora.
    metade dos problemas de poupança e organização dos comuns mortais também passa pela falta de tempo de se dedicar com afinco a essas coisas. mas olha, há quem tenha de trabalhar! Nós:)

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  2. Da fuque-se?!
    "Não se pode ter tudo?!"
    Como se todas as "dicas", convenientemente recebidas e pressionadas, se aplicassem ao português "médio".
    Como se todos pudessem ter vidas estruturadas, sem percalços, com dias arranjadinhos.


    Mas vá, o pessoal gosta de seguir as vidas rosinhas, para sonhar - e ela sabe disso.

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  3. Humildade é das característias humanas que mais aprecio mas que mais uma vez fica provado que nem todos têm. Amei o post

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  4. Todos temos as nossas saídas menos felizes mas depois de ler este post tive uma epifania:
    É por eu não dar esse tipo de resposta que tenho tanta dificuldade em mostrar o meu valor.. por tratar os outros como gosto de ser tratada e sempre que me é possível ajudar no que posso!😜😜
    Brincadeiras à parte, também não me caiu muito bem cruzar-me com esse storie, tenho que confessar!
    Beijinho
    Cris
    www.lima-limao.pt

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  5. Ui, não sei quem é a " Mestre", mas só por o que me disseste, nem quer saber!
    A maioria das pessoas, têm horários a cumprir e pouco tempo livre, não dá para andar em maratonas de compras, a comparar preços...
    Que livro é esse que estás a ler, Pandora? Fiquei intrigada.

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  6. Eu também seria uma gaja muito mais poupada e muito mais organizada se tivesse tempo para o fazer. Ir às compras é cada vez mais um martírio, quanto mais ir a diferentes supermercados e comparar preços... às vezes chego ao ponto de pegar e pronto, porque preciso e porque o preço não vai fazer diferença se vou levar ou não... Sou cada vez mais vencida pelo cansaço. Agora... quando tinha muito mais tempo livre, quando apesar de trabalhar tinha tempo no trabalho para o fazer, também andava a par de tudo o que era vales e cupões e também já fui a gaja que comprou maionese de marca a 15 cêntimos... mas agora prefiro dar 2€ pela gaja se isso fizer com que possa estar ficar mais 5 minutos no sofá de pernas para cima e em silêncio... acima de tudo em silêncio...


    Mas não compreendo...


    É isso e aqueles que dizem "porque vocês estão sempre a perguntar isto, e aquilo..." Com ênfase no sempre, e que chatos são vocês...


    Devemos-lhes lembrar quiçá que são graças a esses chatos que estão SEMPRE a perguntar, que essas pessoas têm a fama que têm, ou o pedestal que têm...


    Devemos-lhes lembrar também que alguém que começou a seguir uma dessas pessoas hoje, não tem de ir ler todo o arquivo porque ao contrário do que essa pessoa se acha, não é assim tão importante...


    Enfim Pandora, enfim!

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  7. Gostei do tema.
    A humildade (ou falta dela) é uma coisa que sempre me mexeu com os nervos. 
    Fico passada de cada vez que vejo ,por exemplo,alguém numa WC de um centro comercial não respeitar quem por lá anda a limpar e ignora com desdém a funcionária. 
    As pessoas esquecem - se que na vida só sabemos onde estamos HOJE. Amanhã já podemos não estar e por isso é bom que tratam os os outros de igual para igual , com humildade e RESPEITO  não vá a vida trocar - nos as voltas e sermos nós de esfregona na mão. É isto que penso evale o que vale.


    Dito isto, se as pessoas se tratam assim na vida real nas coisas mais básicas no domínio da boa educação,  então tu achas que atrás de um teclado a coisa ia ser diferente? 
    Então tu achas que as "mestras" desta vida bloguística se dignam a responder a todos os comentários? Têm lá tempo para isso mulher? Então e depois como é que caçavam as promoções? 
    Nã.
    Essas mestras já vão muito à frente e têm como garantidos os leitores e o seu blog cheio de pinta bem classificado nos rankings (?). Até que um dia, aparecerá um blog melhor (?) e as leitoras, essas chatas, vão chatear para outro lado. 
    ' Tão e as mestras? -perguntas tu.
    As mestras? Bem, talvez nessa altura,   aprendam a ser mais humildes...e continuem a escrever merdices que só elas lerão. 

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  8. Foi um desabafo. Incomodou-me aquele comentário. Senti um certo desdém, uma arrogância. Como se todos tivéssemos as mesmas condições que ela tem para poder fazer o que ela faz e como faz. Como se estivesse farta de estar sempre a responder às mesmas perguntas, mas bolas, chegou onde chegou com o blog à custa dos leitores, os que se interessam e seguem e procuram. 
    Enfim... 

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  9. Há realidades que não se comparam. E a dela efetivamente é uma das exceções, não a mais comum ao comum dos mortais. 
    Mas o que me incomodou de sobremaneira foi o comentário desdenhoso, com uma arrogância e ar de superioridade. Chegou onde chegou com o blog à custa destes leitores que a seguem e procuram nas suas inúmeras dicas e ideias soluções para os seus dias complicados. A última coisa que essas pessoas merecem ouvir é um "não se pode ter tudo" (só faltou o remate final: temos pena!). 
    Eu sou uma leitora silenciosa. Há receitas que guardo, uma ou outra dica, mas só. Porque a realidade dela, todo o planeamento que faz, como gere, é totalmente incompatível com a minha realidade. Não tenho a mesma disponibilidade. Portanto ajusto, filtro, tiro uma ou outra ideia e arrumo a minha viola no saco. Ainda assim, os leitores que a fizeram chegar onde chegou e continuam a dar-lhe tanto crédito merecem mais respeito e consideração. 

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  10. Nem mais. Humildade implica respeito pelo outro. Implica saber que ninguém é melhor que ninguém. O post foi um desabafo. 

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  11. Ah ah, Cristina, acho que tens de começar a tratar os teus leitores por "meus unicórnios fofos" 
    Falas numa característica que muito prezo e faço dela um dos pilares da minha postura para com os outros: não fazer (tratar) aos outros o que não gostaria que me fizessem (tratassem) a mim. Implica ter uma certa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e respeitar, ou pelo menos fazer esse esforço, os limites de cada um. Chama-se empatia. E isso implica também ser-se humilde.
    O problema? Há muita gente que não pensa assim, e portanto a probabilidade de levarmos com baldes de água fria é enorme. 
    Ora, se viste o mesmo que eu e também não te caiu muito bem, fico mais descansada em saber que não estou a criticar por criticar. Incomodou-me aquele comentário. Por trás desse comentário está uma postura que não aprecio de todo. 

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  12. Não referi nomes, não o vou fazer. A maioria das pessoas facilmente identifica, porque o blog em questão é sobejamente conhecido e tem milhares de seguidores. Tem mérito. Não lho retiro. Eu também o leio e sigo e filtro algumas ideias que ajusto à minha realidade. Na verdade fico-me pelas receitas... Incomodou-me a postura intrínseca ao comentário feito numa das redes sociais. Aquele desdém, aquela arrogância. 
    Ora o livro que ando a ler, ou melhor, acabei este fim de semana (e hei-de escrever sobre ele) é a continuação do anterior que li. É muito bom. Tão bom que estou aqui a controlar-me com toda a força para não encomendar os dois volumes seguintes. 

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  13. Obrigada Mula pelo teu contributo. Deste um bom exemplo:






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  14. Deste um bom exemplo. Quem diz a funcionária de limpeza do centro comercial, diz a caixa do supermercado, ou a pessoa que está a atender na padaria, etc. Os exemplos são mais que muitos. O respeito é transversal à profissão ou "classe social". "Bom dia", "por favor" e "obrigada": três pilares básicos do respeito pelo outro. 
    Ai atrás de um teclado o que as pessoas fazem? Oh mulher, isso dá material para uma tese de doutoramento. Da falta de humildade, à falta de respeito, da completa falta de noção de bom senso e de ridículo, ao extremismo exacerbado qual talibãs das redes sociais, queres começar por onde?
    Ando meia cansada, sabes? Sem paciência. Este desabafo reflete um pouco isso. 
    O que vale é que ainda há por aqui boa gente que tive a sorte de "encontrar". Gente que me faz rir, gente que me faz pensar, gente com quem me identifico, gente com vidas sem filtros cor de rosa flamingo e unicórnios voadores. Gente humilde. E por esses vou-me mantendo por aqui... 

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  15. Espero estar incluída no" lote "do último parágrafo. 

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  16. Nem imaginas o quão difícil é hoje em dia fazer as pessoas rir. Por isso, obrigada pela companhia. 

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  17. Obrigada eu pelas gargalhadas! Ainda me lembro do primeiro post que li teu e olha, como canta a outra, é pra vida toda. A propósito, foi sobre cheneses. 

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  18. Eu também me lembro de ,logo no início do meu antro de maluqueira, me teres destacado num "follow friday" . Agradeci -te na altura e hoje reitero. 
    Uma das razões principais que me levam a querer o anonimato é precisamente esta: ter o feedback sincero e sem condicionantes de quem me lê. 
    Obrigada pela companhia 

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