Pandora, a sebastianista!

Longe de associar o epíteto do título ao messianismo. É mais esta a alegoria: Pandora, a desaparecida em combate que regressa num fim de dia nublado, a adivinhar chuva. Tempestade da grossa. 


Sim, estou viva. Ninguém diria. Eu bem que podia ser contratada para o elenco de Walking Dead, o que eles poupavam em caraterização. As olheiras assustam, a pele anda pálida, nem o BB Cream com umas pinceladas de pó bronzeador disfarçam a palidez da minha figura. Mas pronto, como fui pintar o cabelo no sábado e mantenho o vermelhão, a pele deve achar que ruiva à séria é cara pálida. Num todo, sou uma figura esquálida. O que significa que estou magra. Acabadinho de confirmar na consulta com a nutricionista. Nem tudo pode ser mau.


Ontem bati recorde. Saí do trabalho passava das 20h. Hoje cheguei primeiro que a chefe e ela perguntou se eu lá tinha dormido. As coisas feias que me passaram pela mente enquanto esboçava um sorrisinho amarelo. Pálido, claro está.


Tento inspirar e respirar. Acima de tudo luto para não pirar de vez. Já faltou mais.


Muito trabalho. Stress. Ansiedade. Muito trabalho. Stress. Ca nervos. Muito trabalho.


Sem energia para nada. Nada mesmo. Sinto-me tão derreada que não tenho vontade do que quer que seja. Sinto-me a falhar com tudo e todos. Sem cabeça para as banalidades do dia a dia de uma adulta, como preparar refeições, sem disposição para pequenos prazeres como ler ou escrever no blog. Tão mas tão esgotada que uma amiga enviou-me um email há duas semanas e como não é nada normal eu não responder "rápido", ela mandou-me sms a perguntar se eu estava bem, se tinha recebido o email, se estava chateada com ela. Céus, senti um soco no estômago por falhar com quem tanto gosto. 


Hoje saí da consulta da nutricionista e olhei para o relógio. Uma hora para o início da aula de dança. Queria ir, mas não sentia forças. Os olhos ardem, a cabeça mói, o corpo quebra. Conduzi até casa. Quero um banho quente e dormir. Mas dormir à séria. Não o dormir inquieto que tenho tido nas últimas semanas.


Frustrada. Ando completamente frustrada. E revoltada também. Tanta luta, trabalho, sacrifício, e cai-me à porta de casa uma bomba relógio que estamos a segurar, com todo o cuidado, até ser o "momento" de a fazer explodir. E vai ser uma grande merda. E vai sobrar para nós, que não temos nada a ver com o assunto. E não consigo prever a dimensão dos estragos. E é fodido ser uma espécie de papel higiénico que serve para limpar a grande cagada que os outros fazem. Já dizia uma antiga colega minha: família, só a sagrada e mesmo essa é presa à parede com um prego. 


O meu desejo mais profundo neste momento era naufragar numa ilha deserta. Longe de tudo e de todos. Cansada, farta de gente egoísta, irresponsável, sem noção da porcaria que faz e completamente nas tintas para os estragos que provoca na vida de quem está no seu canto, a lutar dia a dia pela sua vida e futuro. Uma merda. 


Portanto, de messias que carrega a esperança nada tenho. E vou desaparecer novamente em combate, que isto anda tão negro, mas tão negro, que mais vale remeter-me ao silêncio e solidão. Não há força nem sarcasmo que ajude a suportar tanta coisa... que ainda mal começou. É caso para dizer que a procissão ainda nem chegou ao adro. Imagino quando chegar... Ou não quero imaginar, porque só me passam cenários dantescos pela cabeça.


Era ter um botão OFF, fazer um reset. Sem direito a backup. 


 

Comentários

  1. Oh!
    Estavas bem na tua outra equipa e estou a ver que a mudança não foi nada positiva! Fico triste por assim ser, mas olha, desejo que recuperes rapidamente as forças, que levantes a cabeça e que voltes a entrar no ritmo de forma a teres uma vida tranquila!
    Muita força! 

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  2. Força, vais ver que depois da tempestade vem a  bonança!

    xoxo
    marta

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  3. Apenas te posso desejar força, muita força!

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  4. Eu estava tão bem na minha anterior equipa, tão "confortável" nas minhas tarefas, funções e responsabilidades. Toda a ansiedade e ataque de stress que tive era por antever este cenário. Por saber como as coisas funcionam nesta equipa.
    O trabalho em si? Sim, é estimulante, tem a sua carga de stress por prazos a cumprir, tem uma boa dose de responsabilidade pelas decisões a tomar enquanto analiso um processo e lhe dou seguimento. O problema não é o trabalho em si. É a forma como trabalham, como exigem, como gerem, como controlam. E como atrapalham, também, tal é a carga de procedimentozinhos e validações e o catano.
    Vou ter de aprender a viver e trabalhar com isto. E isso leva o seu tempo. Um mês e meio não faz de mim uma veterana. Sou muito verdinha, ainda muito caloira. Falta-me calo para ser capaz de relativizar. Um passo de cada vez. E hoje consegui ter um dia mais calmo. Haja fé!
    Beijinhos e obrigada pelo carinho

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  5. Tomara! Tenho um longo percurso a percorrer até conseguir aprender a gerir a carga de stress e a pressão. Tenho de ganhar calo para relativizar uma série de coisas. Tempo e paciência. Lá hei-de chegar.
    Beijinho

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  6. Obrigada!! Também preciso de coragem. E toneladas de paciência. Um dia de cada vez. Hoje foi mais calmo. Haja esperança. 

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  7. Acreditar que sim, que vai correr bem. A mim e a ti. 
    Que a nossa vida se encaminhe para o que for melhor para nós. Mesmo que isso signifique passar por obstáculos e enfrentar problemas. Dá-nos sabedoria. E coragem. 

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  8. Força, paciência e resiliência! Vais ver que daqui para a frente a coisa melhora. Só pode melhorar!
    Força.. 

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