Caro vizinho
Cada um gosta da música que bem entende, há gostos para tudo. Se queres ouvir kizomba, tudo bem, eu quando vou às festas latinas, volta e meia até danço uma kizomba. Se queres ouvir Quim Barreiros, é contigo, ninguém faz trocadilhos linguísticos e jogos semânticos como ele, se estás numa de passar o CD com os grandes êxitos do Tony Carreira, pá, são gostos, não se pode negar que é um grande nome da música portuguesa.
Mas por favor, e por respeito aos que moram no mesmo prédio, ou a quem passa na rua, numa tarde de domingo de pasmaceira, baixa o caralho do volume, que eu não tenho de estar a levar com o teu baile privado dentro da minha sala, refastelada no sofá, a tentar ver uma série.
Estive à beira de um ataque de nervos, quase quase a entrar em histeria e ir tocar-te à campainha, de pijama, para te chamar a atenção. E passou-me pela cabeça fazer uma espécie de desgarrada: tu com Tony Carreira e eu com Rammstein ou Slipknot com o sound surround a topo nas cinco colunas. O problema é que para o resto da vizinhança, eu seria pior que tu. E era preciso que tu percebesses a mensagem. O que eu duvido.
Portanto, por agora leva o administrador do condomínio um recadinho. Se cair em saco roto, passo à estratégia de Rammstein ou Slipknot.
Nada a agradecer. Que eu também não agradeço ter passado a tarde de domingo a ouvir o Sonho de Menino e o Vagabundo de Tony Carreira, como se estivesse em plena romaria da Senhora dos Remédios (ou das Necessidades).
Quando os vizinhos perdem a noção de viver em comunidade é terrível.
ResponderEliminarNo anterior prédio também tinha uns vizinhos insuportáveis.
Andar de salto alto desde que se levantavam, falar alto, incluindo palavrões de todos os tamanhos e feitios, os putos jogarem à bola contra às paredes eram coisas diárias e constantes.
Agora neste tenho o puto que anda de skate, mas é a horas normais ainda que eu por vezes queira dormir depois da noite de trabalho e não possa. Mas o miúdo não tem culpa.
Se te alegra, não és a única.
ResponderEliminarOlha só o que me calhou na rifa:
http://pequenocasoserio.blogs.sapo.pt/vizinhanca-26024
(o que me lixa é que no final das contas eles estão todos bem. Tu é que és...comichosa )
Tudo isso no mesmo prédio? Benzódeus!!!
ResponderEliminarEu desconfio que este cromo é surdo. Ele vem almoçar a casa, e chega sempre antes de mim. Acontece eu estacionar, e da rua bem que posso estar a ouvir o Jornal da Uma e ficar a par das notícias do país e do mundo. Depois tenho a chamada câmara de vigilância. A senhora reformada, viúva, ao contrário do cromo, tem ouvidos de tísica, porque vem sempre à janela ver quem chega e quem sai, e tão solícita, fica com a correspondência/encomendas de toda a gente que não está em casa para atender a srª carteira. É um favor, é, não fosse fazê-lo pela cusquice de saber o que uma pessoa compra ou recebe em correio registado. Ah, e tenho a dondoca, que já tenho falado por aqui. Toda snob, nariz empinado, banhada em perfume, mas quando desata aos berros com a filha, faz concorrência à mais destemida peixeira do Bulhão. E também gosta de vir sacudir cenas para o terraço dos outros. E gosta de libertar a pequena criatura que pariu pelo prédio a fazer um chinfrim digno de competir com o baile do cromo. Eh pá, afinal também tenho um prédio cheio de pérolas anormais.
Eu sou a comichosa. Pronto. Faz-me comichão a falta de senso e civismo das pessoas.
Pois, o problema é mesmo a falta de senso e civismo, com uma pitada de falta de educação e muito egocentrismo. Mas se uma pessoa fala, chama a atenção, é a cabra comichosa. Haja pachorra.
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ResponderEliminarHá vizinhos do pior e que julgam-se os donos do prédio, de tudo
Mas, este vizinho é louco/apaixonado por ópera.
Imagine à noite, por vezes depois da meia-noite ouvir ópera com o volume muito alto.
Mas tem fases.
Já foi pior.
Não sou grande apreciadora desta música, pelo que me incomoda. Mas estou quieta no meu canto.
É que há anos, cá em casa, tive obras e foi o fim do mundo a insultar-me, e a dar pontapés à minha porta de modo que o trolha, um dia ligou-me para o trabalho e disse : " não me responsabilizo se lhe der com o martelo na cabeça se vier insultar e pontapear a porta."
E mais tinha a dizer do que se passou no prédio, mas agora as coisas andam bem.
Estava-se a preparar para o S. Gonçalinho, que até está quase aí à porta. Ias lá e davas-lhe era (com) uma cavaca na tromba! Tradição é tradição e festa é festa!
ResponderEliminarCavacas não tinha, mas vontade de lhe tocar à campainha e pedir para baixar o volume não faltou. Foi mais a preguiça de ter de mudar de roupa ou a vergonha de lhe aparecer de pijama a meio da tarde. Chamar a bofia também não me pareceu solução porque não estávamos em horário não permitido. Mas caramba, lá porque era meio da tarde não significa falta de bom senso. E foi até à hora de jantar... Nem o vizinho cantor incomoda com os ensaios como este incomoda com a música que escolhe ouvir.
ResponderEliminarÓpera à noite em alto e bom som???? Mas sentia-se incomodado pelo barulho de obras que decorriam durante a noite?! Há gente mesmo sem pinga de noção. Enfim. Uma pessoa acaba por se calar para não ser tida pior que essa gente.
ResponderEliminarAi o Sonho de menino... tu jogaste pedra na cruíz! :/
ResponderEliminarEu devia era jogar pedra no vizinho. Ou na aparelhagem dele.
ResponderEliminarAs obras não eram de noite, nem pensar!
ResponderEliminarEram de dia, mas ele não suporta o barulho de martelos, de máquinas e essas coisas.