Vocês sabem?
Aquele Gremlin fofinho fofinho, com uns olhinhos ternurentos, que só apetece pegar ao colo e apertar por causa de ser tão fofo? Sabem?
Pronto, eu não carrego assim tanta fofura, mas vá sou moça pacífica, simpática, do bem. Mas solta-se-me a fera que há cá dentro quando me fazem de parva, me tentam ludibriar e duvidar da minha própria inteligência. É que aí eu encarno a toura que há em mim e sai da frente.
Pois que ontem, e depois de uma novela mexicana por causa da avaria do Smart, fui ter com o dono do stand que mo vendeu para levantar o carro da reparação que ele, a muito custo e com muita luta e argumentação muito bem fundamentada e apoiada por consultora legal (vulgo advogada), resolveu assumir e pagar ao abrigo da garantia.
Mas caramba, chego lá e vejo o palhaço, no alto da sua arrogância, a falar da garantia e da lei com uma ironia que me fez revirar as tripas. E quando lhe pedimos uma cópia do relatório de intervenção e ele diz, ipsis verbis:
- A sua advogada que me escreva uma cartinha a pedir o documento e eu peço à minha advogada para lhe responder, ou melhor, até digo à minha advogada que nem tenha trabalho a responder.
Ahhhhhh que se soltou o bad gremlin dentro de Pandora. E quanto mais ele insistia em falar, metendo os pés pelas mãos, numa contradição própria de quem é chico esperto a querer enganar os outros, mais eu me erguia nos meus argumentos, muito bem fundamentados, com uma segurança própria de quem conhece a lei, os direitos que tem e aquilo que pode exigir como seu de direito.
Resumindo: comprei o Smart em fevereiro, há 8 meses. Na semana passada carro tem uma avaria mecânica e simplesmente pára, não liga, não anda, nada. Consumidora consciente, sei que tenho direito a um ano de garantia. Contactamos o stand, pedimos que nos digam com que oficina trabalham para levar lá o carro. Nada. Carro foi para a marca. E começa a luta. Porque não tínhamos direito a garantia, porque para termos garantia tínhamos de ter pago mais 1000€, e nós prescindimos da garantia. Ahhhhhhhh os nervos a ferverem. Consulta a lei, consulta amiga advogada, reúne com ela, tudo para ter a certeza dos nossos direitos e poder reinvindicá-los. E assim foi. Na segunda, e a contragosto, lá aceitaram fazer a reparação, mas não na marca. Lá foi o reboque buscar o carro e levá-lo para a oficina que o stand quis. Ontem, o discurso irónico continuou, com aquele ar do bom samaritano que resolveu responsabilizar-se pela avaria do carro que vendeu há oito meses só porque sim, é muito boa pessoa e quis agradar ao cliente. Só não o mandei para a meretriz que o pariu porque aí perdia eu a razão que tinha. Mas no alto do meu metro e meio ele ouviu o que não quis e percebeu que comigo, connosco, ele não ia brincar nem enganar, nem passar a perna, tão pouco fazer-nos de parvos.
A questão é simplesmente esta: a compra de um carro usado tem, por lei, um ano de garantia, no mínimo, no caso de stands creditados para a comercialização de veículos, e no caso de uma compra a um particular têm direito a 6 meses de garantia. Quando um stand de usados vos diz que por mais x € têm direito a garantia, na verdade estão a querer vender-vos algo que é vosso por direito, porque o que eles deveriam vender é a chamada extensão de garantia. O cliente tem um ano por direito. Se pagar mais x (valor acordado entre as partes), tem mais um ano, somando um total de dois anos de garantia. Claro que os chicos espertos dos vendedores aproveitam-se do desconhecimento do consumidor da lei e dos seus direitos, aproveitam-se que as pessoas, mesmo que até tenham noção dos seus direitos não estão para se chatear ou levar o caso a tribunal e esperar 5 anos que se resolva, e assim continuam na boa, impunes, a cometer estas ilegalidades à vista de toda a gente e, no fundo, com a conivência de todos.
Comigo não foi assim. Lamento. Se tenho os meus deveres e os cumpro, também exijo que me sejam devidos os direitos que tenho por lei. E não exigi nada que não tivesse direito, por lei.
Pedi à M.J. que, se pudesse e quisesse, escrevesse algo mais completo e com a devida fundamentação jurídica sobre este tema. Porque eu acabei de ser escaldada. Porque, ao comentar isto com várias pessoas, pude ver que a grande maioria assume que se compra um carro usado e não tem garantia. Porque a verdade é que se não estivermos informados dos nossos direitos, passam-nos a perna e ainda se riem, e assim continuam, pela vida fora, meio mundo a enganar outro meio, pura e simplesmente porque meio mundo vive na ignorância dos seus direitos.
Quanto ao Smart, já está comigo, já anda, mas eu não desisto de ter um relatório da intervenção da oficina. Ou vou pagar para a marca me fazer um diagnóstico completo ao carro. Não é desconfiar das pessoas, mas dado todo o contexto, eu sei lá se o carro levou uma peça nova, uma peça restaurada, eu sei lá se não volta a acontecer e depois? Adoro o carro. Mas depois de tudo isto, já não confio nele. E para me decidir se fico com ele ou não, vai ter de ser submetido a uma boa análise e avaliação. Afinal, ainda tenho quatro meses de garantia.
o mais grave meu amor é que conheço casos de pessoas que assinam documentos chamados "rescisão do direito de garantia" porque o vendedor lhes diz que, caso a queiram, têm de pagar (ronda sempre dos mil para cima).
ResponderEliminarestá anotado.
vou escrever sobre isso na minha semana ;)
Documento esse que não tem qualquer valor legal. Sim, a advogada que consultámos falou-nos disso.
ResponderEliminarO fulano sabia bem a trampa que estava a fazer connosco, porque ontem ele até disse: ah eu podia não me responsabilizar pelo arranjo, e vocês reparavam o carro e entravam com processo em tribunal e eu ia perder, é certo, mas vocês iam esperar 3 ou 5 anos até o tribunal decidir?
Foi quando lhe respondi que sim, eu estava disposta a ir até às últimas consequências para fazer valer o meu direito de consumidora.
Pedi-te isto porque lá está, agora calhou-me a mim, que até sou pessoa minimamente informada e sabe onde ir e com quem ir esclarecer dúvidas. Mas a grande maioria das pessoas desconhece. E é enganada e lesada simplesmente porque desconhece. E isto dos blogs também é uma partilha de experiências. Fico-te muito agradecida!! Por mim e por todas aquelas pessoas que possam ficar alertadas caso passem por uma situação como a minha.
Acho importante que se fale sobre estas coisas, porque há muita gente a ser enganada.
ResponderEliminarTivemos um caso terrível com um carro quando descobrimos (naquelas idas à oficina/computador) que no stand "tiraram" quilómetros - isto é crime disse-me um agente da PSP que contactei.
ResponderEliminarPedimos a uma advogada uma ajuda (pagando por isso) ela aconselhou a esquecer, reclamámos por escrito, mas não deu em nada. E é a verdade, os casos destes são aos milhares nos tribunais e acabam por demorar muitos, muitos anos. Os donos dos stands gabam-se e com razão, este tinha até uma advogada a tempo inteiro e ainda se riu na nossa "cara" dizendo que "sim que fizéssemos queixa, para ele tanto se lhe dava".
O crime ainda compensa.
Infelizmente tudo o que envolva carros e stands é muito sinistro!...
ResponderEliminarEm tempos os meus pais - ainda casados, imagina só ao tempo que foi - compraram uma carrinha num stand. Viemos a descobrir que a carrinha tinha sido toda adulterada que os cavalos, o motor e essas tretas todas das quais eu não percebo não correspondiam ao que tinha disso vendido. A carrinha uma semana depois de ser comprada avariou o turbo... fomos lá para arranjar porque tinha garantia - tal como disseste - eles não queriam reparar, também tivemos de colocar advogado e eles lá repararam... Depois avariou mais não sei o quê e quando nos dirigimos novamente o stand... "cadê o stand?" Pois que o stand estava envolvido em carros roubados, em crimes violentos e afins... e o stand fechou quando começou a ser investigado... Ficamos com a carrinha tal como a compramos, toda lixada...e eles tiveram de reparar do bolso deles, até que se fartaram de gastar dinheiro e venderam-na... :\
A grande maioria das pessoas não está para se chatear e deixa andar . É por isso que o chico-espertismo vai ganhando terreno.
ResponderEliminarNão foi com um carro mas esta que te escreve também não fica calada quando acha que tem razão!
Um dia , numas das 23456 vezes que tive uma amigdalite, foi-me receitado um antibiótico (na altura caro) que comprei numa farmácia que não conhecia apenas porque era à saída do consultório .
Peguei na caixa e em todas as coisinhas extra que me mandaram comprar e fui para casa.
Quando chego a casa vejo que a caixa do antibiótico não tinha nada lá dentro.
Agarrei no recibo, vi o telefone da farmácia e liguei para contar o sucedido. Tentaram dar-me a volta .
Agarrei em mim e fui lá. Primeiro com calma lá expliquei tudo mas percebi claramente que olhavam para mim do tipo "esta deve pensar que somos parvos". Comecei a ver a minha vida a andar para trás.
Sabes qual foi a minha sorte?
A senhora das limpezas que trabalhava lá há anos (e eu não sabia) era minha vizinha . Assegurou o dono da farmácia que eu era incapaz de fazer um papelão daqueles se não fosse verdade.
Só assim lá aceitaram dar-me outra caixa . E nos bastidores.
Moral da história :
A partir daí ABRO SEMPRE as caixas ainda dentro da farmácia.
Portanto como vês, se isto acontece com uns simples comprimidos, imagina até onde se pode ir com um carro.
Pois há, principalmente porque desconhecem a lei e os seus direitos. Mas também há gente que não está para se chatear.
ResponderEliminarInfelizmente tens razão. Casos desses são aos milhares, mesmo sendo crime punível por lei, é muito complicado fazer valer essa lei. Aliás, quando os próprios profissionais liberais aconselham o cliente a esquecer. Gera-se um ciclo vicioso e é frustrante, a sério. Eu posso considerar que até tive muita sorte. As coisas resolveram-se, com algumas chatices, conversas azedas e ameaças veladas, é certo, mas resolveram-se a meu favor, fazendo valer a lei das garantias. Triste é saber que o meu caso é exceção. E não a regra.
ResponderEliminarBem, nunca tal me aconteceu, mas não estamos livres. Acho que vou ter mais cuidado quando for à farmácia. A verdade é que há tanto chico esperto a querer passar a perna aos outros, que muitas pessoas se tornam desconfiadas. Até que ponto essa tua história na farmácia não fruto da própria farmácia já estar mais que escaldada de falsas reclamações? É o pagar o justo pelo pecador. E é lamentável que vivamos nesta sociedade onde o chico esperto safa-se sempre, a impunidade prevalece e ainda se riem de quem cumpre a lei. Para onde caminha esta sociedade dos tempos modernos? Teremos evoluído assim tanto relativamente à Idade Média? Às vezes acho que não. Estamos mais polidos e limpos, mas por dentro a corrupção e o mau carácter prevalecem sobre valores morais e sobre a própria lei.
ResponderEliminarBem, isso mais parece um filme! O problema é quando somos apanhados no meio do filme e arcamos com as consequências sem ter culpa nenhuma.
ResponderEliminarFoi um filme quase previsível... "Deram" demasiado dinheiro pelo anterior carro, para abater a compra deste, eles queriam à força toda despachar-se dos carros, os meus pais é que inocentinhos das duas vistas "ai que negócio espetacular!!" mas... não há negócios assim tão bons, e quando a esmola é muita eu desconfio sempre...
ResponderEliminarO meu com 3 meses de uso empanou http://marrocoseodestino.blogs.sapo.pt/carro-avariado-e-ferias-80414
ResponderEliminare apesar de ter sabermos que tinha garantia de 18 meses (estendemos a garantia por mais 6 meses) sabíamos que não ia ser fácil de resolver.
O Miguel estava para voltar para Marrocos e claro o perito do seguro não vai quando queremos e acho que ainda faz pior quando explicamos a situação. Resultado muito stress e adiamento da ida dele durante 4 dias.
O vendedor não tentou enganar-nos, mas também não teria sorte.