Cenas tristes

Eu até sou condutora que sempre que vê alguém numa passadeira, pára para ceder passagem. Quando ando a pé e quero atravessar, vou para a passadeira e espero que parem para eu passar. Lá porque há passadeira, não significa atravessar à maluca, porque só tenho prioridade se ma derem. 


Isto para contar a cena parva que vivi há pouco. Saio 5 minutos mais cedo para passar no centro de saúde na hora de almoço, que fica a caminho de casa. Aproximo-me do cruzamento onde tenho de virar para o centro de saúde e está um autocarro parado. Só me apercebo de um rapaz a começar a atravessar a passadeira quando passo pela dita, porque o autocarro tapava a visibilidade. Viro, estaciono e o cromo vem mandar vir comigo, mandar bocas porque não parei na passadeira, como se ele tivesse prioridade incontestável. Aqui a menina, que hoje não está para levar desaforo gratuitamente, aproxima-se do moçoilo, que de longe mandava papaias, e solta a vareira:


- Olha lá, estás armado em parvo ou achas que eu tenho visão raio-x para te ver atrás de um autocarro? 


Virei costas e fui fazer o que tinha a fazer, e confesso que entre dentes o estava a mandar à real merdinha. 


 


 

Comentários

  1. ora aí está uma atitude que prezo para gente idiota que se cruza connosco na rua! Parabéns! :)

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  2. Eu até entendo que na perspetiva dele eu é que sou a parvalhona. Mas se ele também tinha a visão tapada pelo autocarro, não se punha a atravessar a estrada sem saber se vinham carros ou não. Ficava caladinho e cada um com a sua razão. Agora manda bocas porque se acha? Foi por ver que era uma gaja? Levou troco. Até porque nem razão tinha para as bocas.

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  3. Também costumo respeitar as passadeiras, mas às vezes a pouca visibilidade ou as pessoas que aparecem de repente e não dá para parar.
    Para quem atravessa isso não é perceptível e é normal não gostarem.
    Mas diria que, se não fosses mulher, ele não teria reclamado.

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  4. Também acho. E por isso mesmo é que respondi-lhe, coisa que por norma não faço e ignoro este tipo de comentários. Assim como não o vi, ele também não me viu. Havia um autocarro que tapava a visibilidade quer de quem viesse da estrada, quer de quem fosse atravessar na passadeira. Eu nem ia com velocidade, até porque ia virar logo a seguir. Agora o menino também se fazer à passadeira sem ver se vinha alguém não lhe dá assim tanta razão para se pôr com bocas. 

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