Deixem-me puxar dos galões

Durante anos estudei Literatura. Desde História da Literatura a Teoria da Literatura, especializei-me em Literatura Clássica (greco latina) e Portuguesa. 


Esmiucei os grandes clássicos gregos, desde Homero a Sócrates, Platão e Aristóteles, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, entre outros, na sua língua original, grego antigo. Estudei a história, a cultura e a língua. A mitologia, as influências culturais, os grandes mitos e lendas.


Dissequei os grandes clássicos romanos: Cícero, Séneca, Ovídio, Horácio, Catulo, a epopeia de Virgílio, os textos históricos de Tito Lívio, a prosa de Catão, as comédias de Plauto e Terêncio. Na sua língua original: latim. Estudei a história, a cultura e a língua. A mitologia, as influências culturais, os grandes mitos e lendas.


Tratei por tu os grandes teóricos da literatura portuguesa, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Carlos António Alves dos Reis. Li, estudei e analisei inúmeras obras de autores portugueses, ao longo dos tempos e correntes literárias: estudei-lhes as técnicas narrativas, o estilo, o contexto histórico e cultural, as influências, analisei recursos estilísticos, esmiucei interpretações de vários críticos literários. Estudei a história, a cultura e a língua. A simbologia, as influências culturais e literárias, as correntes literárias e os movimentos culturais que contextualizam autores e suas obras. Dissequei-lhes as palavras, as mensagens subtis, as críticas sociais e políticas, as ironias, as paixões, os retratos sociais de um Portugal com séculos de história. Bebi-lhes a essência da sua poética. 


E por tudo isto irrita-me, mas irrita-me mesmo mesmo mesmo, aquela malta que se tem por grandes leitores (importa a quantidade, não a qualidade da leitura) e que pontuam os livros/obras literárias que lêem. A sério??? Mas isto é quê?? O Festival da Eurovisão dos Livros? Ken Follet 4 pontos, Ken Follet 4 points... Margarida Rebelo Pinto 0 pontos, Margarida Rebelo Pinto 0 points...


Que dêem a sua opinião, na boa: se gostaram, não gostaram, o que mais chamou a atenção, o que menos impressionou, a ideia que ficaram da escrita do autor, da história, tudo bem. Opinem. O público agradece. Agora pontuar? Reduzir uma obra literária numa escala numérica? Essa merda nem os mais conceituados críticos literários fazem, quanto mais uns anónimos sem formação para tal avaliação. 


Se vos parece uma cena muito culta e erudita, eu digo-vos: não é. É muito triste. E ignorante.


 


 


 


 

Comentários

  1. Admito que o faço no Goodreads, porque nem sempre tenho tempo para discorrer...


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  2. Pois, essas aplicações pedem esse tipo de avaliações. Eu não as uso, não preciso, não lhes sinto a falta. Recuso-me a pontuar livros numa escala numérica. E procuro, imensas vezes opiniões, cruzo diferentes pontos de vista, encontro comentários bem interessantes, mas reduzir um livro a um número? Não. Ainda mais quando essa avaliação é dada por quem não tem bagagem e fundamentação para a fazer. Não tem sequer legitimidade. 

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  3. É uma vergonha. Dá vómitos.
    Até te digo mais. Ando para criar no meu blog um canto sobre leituras. Opinar sobre os meus livros. Nada de avaliações! Quem sou eu para tal. Já esbarrei em cada obscenidade pseudo-critica que até arrepia.

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  4. Opinar é legítimo. É parcial, é subjetivo, é pessoal. Classificar dando uma pontuação já é parvo, principalmente quando quem o faz não tem legitimidade nem conhecimentos técnicos para tal classificação. 

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