O karma, a sogra e a minha bílis!

Por altura do natal houve um episódio (mais um) da sogra que me deixou a ferver. Depois de tantas, foi como a gota de água que fez transbordar o copo. Depois daquilo, ela de mim não teria mais consideração, nem engolir sapos, nem nada. Posso ter muitos defeitos, mas não sou nem hipócrita nem cínica, portanto cansei de me esforçar para manter algum tipo de relação, com o mínimo contacto possível, de andar a engolir sapos e fazer alguns fretes, tudo pelo Gandhe, que é filho (e parvo, que continua a ser tapete debaixo dos pés da mãe).


Ora que fez ela no natal. Quis ficar sozinha, porque a mãe dela ia para casa de outro filho passar o natal, o namorado ia para casa de uma filha, e ela alegou umas dores de dentes e que não estava para se chatear. Portanto, a única pessoa que ela tinha no natal, curiosamente é a mesma e a única pessoa que ela tem nos restantes 365 dias, não estava para se chatear no natal, não se esforçou minimamente. Se a filha viesse cá, não lhe doíam os dentes, se a mãe não fosse para o irmão, não lhe doíam os dentes, se o namorado não fosse para a filha, não lhe doíam os dentes. Ironicamente, e o karma é fodido, só lhe restava o filho, que ela trata como criado, e eu, a cabra da nora, filha de Belzebu. Logo, não se esforçou minimamente pela família que lhe restava. 


Para mim foi um alívio. Mas custou levar com aquela cuspidela em cima, mais por ele, obviamente. E cheguei a dizer-lhe que é nessas alturas que agradeço não ter filhos, porque não saberia explicar à criança que não somos suficientemente especiais para a avó fazer um esforço.


Assim se passou, poucos dias depois ela a ligar para o filho fazer favores, ele a ir feito estúpido, eu a ficar com a bílis azeda durante uns dias, e a coisa acalma, até ela dar o ar de sua graça outra vez. 


Agora diz-me ele, por e-mail, pois acredito que tenha as bolinhas bem pequeninas para mo dizer na cara, que a senhora sua mãe no domingo de Páscoa tem a almoçar em casa a mãe dela, o namorado, e nos convidou também.


Ora, o karma a fazer das suas. Por um lado a minha oportunidade de lhe dizer que não estou para me chatear. Não vou, quero que ela se foda, tenho receio de morrer engasgada à mesa com um bago de arroz, não estou para engolir sapos, muito menos o meu orgulho ferido, como se nada se tivesse passado. Por outro lado quem sou eu para privar o Gandhe de almoçar com a mãe, com a avó e o pseudo padrasto?


Solução: ele vai, eu não. 


Seria simples, mas imagino que ele entre numa birra, só vai se eu também for, depois eu decido não ir, ele fica de trombas porque queria ir almoçar a casa da mãe, se engulo eu o orgulho e decido ir, vou estar eu fodida da vida, com a bílis a arder...


A sério, que faço eu?!


Não há nenhum ovni que passe e me leve antes de domingo? Por uns dias. Alguns. Dois. 



 

Comentários

  1. Podes sempre dizer que estás com dores de dentes .


    Eu a ser má, não resisti ;)


    Beijinhos

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  2. Já me passou essa pela cabeça. Dor de dentes, enxaquecas, diarreia... sei lá, qualquer porcaria serviria só para lhe dar o troco.

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  3. Eu,infelizmente não tenho sogra, mas creio que a minha não me dava esses afazeres. No entanto tenho uma maluca de uma cunhada, tua vizinha, que nos dá mais que fazer, só com a mania das doenças. Imagina o resto...










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  4. Aplaudo-te a coragem! Porque é preciso coragem. Principalmente porque sabes que agora tu vais ser a má da fita. Afinal ninguém quer saber do teu cansaço. Ao fim de anos dás uma nega. Não interessam os sacrifícios de anos, os esforços que foram feitos. Só fica o não que agora dás. Coragem mesmo. E aplaudo-a. 
    Sabes, é o que sinceramente me apetece. Porque raio tenho de fazer o frete de aceitar o convite para um almoço, só porque agora já me considera gente? Há uns meses éramos uns montes de esterco que não valíamos o esforço. Porque o que me fere o orgulho é isso: se ela não tivesse as outras pessoas, nós também não servimos. Mas servimos os restantes dias do ano para atender o telefone e largar tudo para cumprir ordens da madame. Estou deveras farta. E não é a engolir o meu orgulho e a ir de sorriso amarelo almoçar com ela que mostro como estou farta que ela trate as pessoas como quer e lhe apetece.
    Vejo isto como o meu momento de dar o murro na mesa. De mostrar que não tolero mais. O problema é que não conto com o apoio dele. Ele que é cego pela mãe, que lhe diz sempre ámen. Mais uma vez vai ser daquelas alturas em que me apetece abrir-lhe a porta de casa, fazer-lhe as malas e recambiá-lo para casa da mãe. Que fique debaixo da saia dela de vez. 
    Estou a tentar pensar com bom senso, mas não há bom senso que me chegue para arranjar solução.
    Admiro-te a coragem. Hoje, em particular, ainda mais. 
    Boa Páscoa!! Que seja a que não tiveste nos últimos anos. Beijinhos

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  5. Eu durante alguns anos também engoli muitos sapos ... Pois sempre achei que provavelmente o erro era meu e que não devia privar o filho e o neto do convívio com a dita cuja ...
    Mas um dia ela disse ao filho que as nora não era da família ...
    A partir dai tudo ficou mais simples para mim ... eu para ela sou apenas uma conhecida ... como tal não me sinto na obrigação de engolir sapos.
    Felizmente o filho e o neto (que na altura tinha 9/10) anos) perceberam que o erro afinal não era meu.
    Isto foi a cerca de 11 /12 anos ... agora que a madame está a entrar numa 3ª idade avançada por vezes renda a cerca ... mas comigo está lixada ... como dizia o outro ... "quem lhe comeu o corpo que lhe roa também a cabeça".


    Eu se fosse a ti inventava uma enxaqueca, e despachava o pai e a neta para avó aturar ...

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  6. e mais não disse, que no Natal se passava a mesmíssima coisa. Jantar de Natal ou jantar de ano Novo, lá estava a criadita a pensar o que havia de fazer pro comensal. Pensar no que havia de ser comprado com um mes de antecedencia. levar os tarecos todos para casa do sogro para não me faltar nenhuma panela ou nenhuma forma, mais a toalha bonita e beca, beca beca. ela chegava e sentava e ainda criticava.


    O único ano que ainda pensámos em deixar-lhe o almoço a cargo dela, chegámos a casa por volta do meio dia, andava ela de volta da limpeza da casa de banho com o almoço por começar e a mesa por pôr e metade das coisas a faltarem na mesa que tive de remediar com o que pude e um par de pedidos de desculpas aos convivas.


    quero lá saber se serei a má da fita. quero é zelar pela minha saúde; quanto ao resto, tenho a consciência que não posso fazer mais nada.


    (agora deste-me corda e eu acabei por esticá-la)

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  7. Dou-te a corda que quiseres. Às vezes só precisamos desabafar e ser ouvidas por alguém que nos entenda, e não olhe de lado a achar que os ditos laços de sangue tudo permitem e tudo justificam, como se nós é que estivéssemos a implicar e a ser umas cabras egoístas. Só quem já sentiu este tipo de coisas na pele entende o quanto magoam e cansam ao longo do tempo, o quanto desgastam e moem. 
    Deste o teu grito do Ipiranga. E eu anseio por dar o meu. Falta-me é o apoio. Ou o divórcio. 

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  8. Tu já sabes que eu também não tenho uma relação fácil e portanto nesse aspeto compreendo-te perfeitamente. E dou-te o mesmo conselho que eu seguiria: não vás. Explica calmamente ao homem as razões e ele que decida se ele quer ir. Acredita, a primeira vez custa. Mas depois é um alívio.

    xoxo
    cindy

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  9. Ui, quem me dera que a minha dissesse assim, com todos os f's e r's que não sou da família. Problema é que já o disse, por outras palavras, indiretamente, e numa suposta conversa de cochicho com a cunhada, mas eu ouvi, oh se ouvi. 
    Depois de acumular uma série de tretas conquistei a minha distância. Com arrelias pelo meio por causa dele largar sempre tudo e ir a correr, mas no que a mim me diz respeito, distância, o mínimo contacto possível, e confiança a níveis de zero. Mas há coisas que não para fugir. Eventos familiares, festividades. Quando ela nos fez aquilo no natal eu sinceramente quis acreditar que ele ia abrir os olhos. Esquece. Agora vem a porra do convite e eu a ver a minha oportunidade de marcar a minha posição. Porque se alinho, mesmo de trombas, mesmo contrariada, estou a alimentar o ego da sogra, o ciclo que ela perpetua com as atitudes. Mas também estou a comprar uma guerra em casa. 

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  10. Se fazendo sempre da mesma maneira ele não te ouve, experimenta uma abordagem diferente. 


    Se já costumas gritar-lhe - porque a paciência já acabou - fala-lhe de mansinho.


    Oh pá, arranja uma estratégia diferente. alguma tem de resultar. 


    Boa sorte

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  11. Pois sei que me entendes, com conhecimento de causa. Mas pelo menos o teu S. apoia-te, está do teu lado, porque admite e sabe o que a "casa gasta". O meu fica cego com a mãe. Já se virou contra mim inúmeras vezes. Se houve coisa que praticamente nos levou ao fim da relação foi as cenas da mãe dele. 
    Esta é mesmo a minha grande oportunidade de não ir. De devolver o que ela já nos fez. De marcar a minha posição. Mas e ele alinhar nisso? Sem mim diz que não tem jeito nenhum ir, é melhor ir para lá de trombas. Se me mantenho firme e desta vez não vou mesmo, e ele também não, aposto que fica ele de trombas. Raios parta a sogra. Que sina!

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  12. As discussões não levam a lado nenhum que não seja um campo de batalha onde não há vencedores. As conversas mansas, já as tive. Passados uns dias, basta ela ligar, e volta tudo ao mesmo. 
    Diferente era fincar pé e não ir. Aproveitar que a história do natal está fresca. Devolver o que ela já me/nos fez. Agora impedi-lo de ir não. Duvido é que vá sozinho. 
    Sinto-me de pés e mãos atadas, que faça o que fizer vai dar bronca. E no meio disto a besta é que sai sempre a rir-se e por cima. 

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  13. Segundo eu aprendi na vida, é mesmo engolir o sapo pelo bem estar dele... enfim, coisas da vida, mas é muito difícil pedires a ele para te escolher a ti ou a mãe, e depois ele vai passar o tempo todo dividido, sabendo que tu ficas em casa e ele lá e depois vai ter de passar o tempo todo a ouvir que tu não tens consideração pela família dele, que o queres é longe deles e afins. 
    é tudo muito complicado, mas o que eu aprendi em 12 anos (bolas) de relacionamento e uma filha, é que ambos temos de engolir muitos sapos com as respectivas famílias.

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  14. P.S- ninguém escolhe a família que tem, ninguém sabe o que o dia de amanhã nos reserva, tu um dia podes voltar a entrar em contacto com a tua, por motivos e razões só tuas... apesar de tudo o teu rapaz mostra uma lealdade enorme a família, eu sei o que é isso tb o meu é assim, mas por ele ser assim é que agora que somos uma família o noto a ter essa garra pela filha, a lealdade que ele tem a filha e a mim é a mesma que ele tem a família dele. São características irritantes muitas vezes, mas no fundo sabemos que eles não saltam fora do barco ao mínimo de dificuldade e conflito... que para eles o amor é maior que tudo e isso é válido para ti também... mas na vida sempre ouvi dizer nunca te metas entre filho e mãe, é um amor incondicional... e para manter a paz em casa sim é preciso ignorar muitas m**** sim.... agora só tu sabes se estas disposta a isso... ou se estas disposta declarar guerra e assumir as consequências disso... Só tu sabes com o que podes viver. Kiss

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  15. Obrigada pela tua partilha e ponto de vista. Acredita que entendo o que dizes, pois é o que tenho feito nos últimos 6 anos (e estamos juntos há 12), quando as coisas com a sogra começaram a descambar. Distância. Pouco contacto. Pouca confiança. Têm sido os ingredientes para uma relação minimamente aceitável com a sogra. Quanto a ele, bem, por circunstâncias da vida, é a única pessoa que ela tem. Filha noutra cidade e sem querer saber, agora viúva, mas antes de o ser o marido trabalhava fora, de relações cortadas com a maior parte da família, e mesmo algumas amigas que já teve, não duram muito. Tive de suportar às 10 chamadas diárias para o filho, tive de suportar todos os dias ele ir a correr para as supostas emergências da mãe, para depois vir para casa danado, porque afinal eram tretas, tive de suportar as visitas surpresa na minha casa, para a ouvir falar mal de tudo, tive de engolir comentários como eu não engravido porque não quero engordar, ou o filho está gordo ou magro porque eu não cozinho e só se come porcarias, ou que o filho anda mal vestido para eu não ter trabalho a tratar-lhe da roupa. Fui suportando ela dar tudo à filha, que nem à fava a manda, mas é a ela que dá dinheiro, mobílias, e o que calha, e é a filha modelo e exemplo para todas as outras. Fui suportando, nem sempre da melhor forma, e com várias discussões feias pelo meio, as investidas dela, o "eu quero, posso e mando e tem de ser como eu quero e quando eu quero"! Esgotei a paciência a fazê-lo ver que é adulto, independente e que tem mais que obrigação de pôr limites à mãe. Mas em momento algum lhe disse ou eu ou a mãe. E nem agora. 
    Neste momento eu vejo como a minha oportunidade de marcar também posição. É orgulho, sim. Orgulho que não quero engolir, outra vez, perdi a conta das vezes que o engoli, porque também quero que ela perceba (se quiser) que não pode tratar os outros como montes de bosta. Ele pode lá ir almoçar, não sou ninguém para o impedir que ele almoce com a mãe, com a avó, com o namorado da mãe. Mas eu não vou. E se ele prefere arranjar uma desculpa esfarrapada, que arranje, ou diga a verdade. Que a atitude que ela teve no natal, depois de tantas às quais uma pessoa foi engolindo, é um chega, um basta, ou ela começa a ter algum respeito ou consideração, ou paciência. Eu não sou da família, e citando a senhora "nem casados são". 
    Se acredito que ela me vai ganhar respeito? Não. Na verdade vai é ficar toda contente porque o filho até vai sem mim, e provavelmente repete os convites com mais frequência, para ele ir sozinho. Se isso acontecer... logo se vê, mas nos limites como eu ando, talvez o filho pródigo regresse para debaixo da saia da mãe. Porque eu também saturei de ser alvo dos ataques da senhora e ele não ter tomates para defender a mulher com quem partilha a vida. Porque não vale a pena entrar em discussões com a mãe. Claro. Ela pode fazer tudo, dizer tudo, tratar os outros como quer e lhe apetece, e ninguém lhe faz frente porque ela é assim e não vale a pena. 

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  16. vc está certa, é karma, o melhor é ficar distante, o filho nunca vai abrir os olhos, fique longe dela, nada vai mudar, não estamos aqui para mudar ninguém, vc deve se afastar dela, permita que ele continue a ir...

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  17. me vejo igual a vc na sua narrativa, comigo acontece o mesmo, tenho dez anos de casamento e ao menos 3 não piso na casa do meu sogro desde que separou e minha sogra eu frequento com certas ressalvas.. nunca vi pessoas como aqueles dois. Eu sei exatamente o que está passando, no meu caso ainda tem meu filho que assim como meu marido jamais privei de conviverem com eles, mas já ouvi muitas coisas, já suportei, perdoei mas entendi que não adiantava jogar pérolas aos porcos, eles não entenderiam nenhum gesto. Após n tentativas de recomeço, cansei. Agora não vou mesmo, nem às ocasiões de aniversários e etc, pq 5 minutos com eles e me ofenderão, o marido um bobo que tbm não tem tomates. Enfim, complicado. O amor que eu tenho por ele ainda me faz tolerar um convivência mínima, só por ele faço isso, não tem culpa, embora as vezes em minha mente eu o culpe por omissão, mas sogro e sogra são meus obsessores vivos, e os desejo bem longes.

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