Crise existencial ou parvoeira?

Hoje tive um dia cheio, mas nem por isso produtivo. Sabem aqueles dias que uma pessoa parece uma barata tonta, mas chega ao fim do dia e vê que em trabalho mesmo, pouco fez? 


Fui convocada para um workshop durante a tarde, depois ao fim da tarde, e como membro da equipa que organizou uma campanha de solidariedade que decorreu no 2º semestre de 2015, tive de ir à entrega do donativo angariado (batemos recorde, orgulho). 


O dia trouxe novidades. Dos outros. Que me deixam feliz, a sério que sim. Mas deixam-me com um sentimento de vazio dentro de mim. Como se eu visse a vida a passar, impávida e serena, enquanto os outros avançam e arriscam e conquistam coisas. As boas novas dos outros deixam-me aquele sabor a fel de me sentir estagnada. Aquela sensação de frustração de remar, remar, remar, remar e não sair do sítio. Aquele sentimento de fracasso pelos sacrifícios que faço e não me levam a lado nenhum, enquanto os outros parecem gozar mais e receber mais da vida.


Não lhes tenho inveja. E estou genuinamente contente. Só fico assim, aninhada sobre mim própria a pensar que raio faço eu de errado para que eu veja os outros a avançar e eu assim, impávida e serena a ver os navios passar.


Pronto, deixem lá as minhas crises existenciais. Estou naquela semana do mês. As hormonas estão parvas e eu que as ature. Ou que fique ainda mais parva que elas, é mais o caso.


 

Comentários

  1. Se é parvoíce estou parvinha de todo, ando assim nos últimos tempos...

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  2. Acredito. E não é parvoice. Mas uma pessoa diz que sim para relativizar e desdramatizar. Vai-nos passar. Tudo passa. 

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  3. O teu penúltimo parágrafo ilustra um pouco o que sinto nos últimos tempos.acho que são fases da vida que todos temos. Não ouvimos os outros falar nelas. Essa e a diferença.


    Possivelmente aqui e o sitio onde te sintas mais desinibida para o fazer.
    Eu, posso dizer o que sinto no blogue, mas recuso alguém ouvir me admitir estas fases em voz alta. E-me mais fácil o silêncio.


    bjs e boa sexta

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  4. E o teu comentário ilustra bem como eu lido com estas crises. Escrever é onde eu me desinibo. Como eu expulso as sombras que me atormentam. No blog porque é o meu divã de Freud. Embora tenha momentos onde acho que me exponho demais. 
    São fases. E longe de querer comparar vidas e pessoas diferentes, ainda mais longe de sentir inveja ou cobiça pela vida alheia, é sim aquele momento de reflexão. De parar a correria dos dias e pensar no caminho que estou a seguir. Onde me levam as escolhas, decisões, esforços. Pensar que futuro estou eu a escrever no livro da minha vida.
    Um beijinho para ti. 

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  5. Conheço tão bem esse sentimento!
    :-(

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