O poder da (verdadeira) amizade!
Corria o ano de 1999. Terminava o 12º, concorria à universidade, confiante que entrava na primeira opção. Concorri ao mesmo curso a quatro universidades diferentes. Acreditava que entrava na primeira opção. Não entrei. E se foi um momento de verdadeiro pânico toda a mudança que se avistava de um momento para o outro, sem sequer ter sido prevista ou equacionada, ter de deixar para trás a zona de conforto, as supostas amizades eternas do liceu, a verdade é que foi O ponto de viragem da minha vida, de redescoberta de mim, de muita aprendizagem, de ser e me tornar mais eu.
Nesse ano que estive em Lisboa, na Faculdade de Letras, conheci várias pessoas, mas amigas, fiz três: a S., a T. e a H. Duas alentejanas, de zonas diferentes, uma açoriana. Passámos belos momentos, partilhámos histórias, experiências, explorávamos a cidade que era nova para todas nós. Uma amizade nasceu.
Ao fim do primeiro ano pedi transferência para a Universidade de Aveiro. Consegui. E, uma vez mais, triste, deixei as amigas que tinha feito para trás. Mas elas continuaram tão presentes na minha vida, mais do que as amizades de anos do liceu. Escrevíamos frequentemente, sim, escrever, na altura não eram comuns os mails, nem haviam redes sociais, e a internet não era para todos. Fui um dia visitá-las a Lisboa, passei férias com a S. no Alentejo que me deu a conhecer, pelo qual me apaixonei, ela veio a Aveiro passar férias, a H. entretanto tinha o namorado no Porto a estudar, e volta e meia vinha de fim de semana a Aveiro, onde ele também vinha, e íamos assim estando juntas.
Acabámos os cursos, elas regressaram às suas terras, começámos na busca de emprego, primeiros trabalhos, desempregos, situações precárias, dificultava viagens e férias, a T. casou, foi mãe, as carreiras profissionais começaram a encarreirar, a H. casou, foi mãe, ao fim de uns anitos consegui regressar ao Alentejo e rever a S., temos conseguido ver-nos todos os verões, entretanto ela casou, foi mãe... eu continuo não casada e com gatos, mas pronto. O meu contacto tem sido mais intenso e frequente com a S., de tempos a tempos lá vou falando com a H. ou com a T.
Em 2016 andávamos, eu e a S. e os nossos respetivos, a planear uma férias nos Açores, para visitar a H. Mas a S. vendeu casa e comprou outra, obras, mudanças, gastos, viagem aos Açores adiada. Nós também nos metemos na compra do carro, viagem aos Açores adiada sem problema.
Eis senão quando há dias recebo uma mensagem da S.: a H., o marido e a filha vêm a Lisboa no final do mês passar uns dias. Que tal um reencontro, num almoço de domingo?
Delirei, mas fiquei um pouco a pensar no custo que é ir e vir a Lisboa por um almoço de um par de horas. Falei com o Gandhe que me disse logo: é mais barato ir a Lisboa do que aos Açores. Não vês as tuas amigas há anos, mais de 10(?). É uma oportunidade que tão cedo não se repete. É uma oportunidade de uma vida.
Pulei de alegria. A sério. Não há palavras para descrever como me estou a sentir.
A possibilidade de estarmos, novamente as quatro, juntas, na cidade que nos acolheu e onde quis o destino que as nossas vidas se cruzassem?! Bom demais!!
Portanto, num fim de semana não muito distante, rumarei a Lisboa para uma espécie de reunião do curso de Línguas e Literaturas Clássicas de 1999/2000 da FLUL. É que ando aqui toda cheia de ânsias por aqueles abraços.
... a minha melhor (e única) amiga vive em Paris ... por isso estás a ver ... uma verdadeira amizade supero tudo isso.
ResponderEliminarAs amizades que tenho confirmado como das mais genuínas e verdadeiras na minha vida são precisamente as que estão à distância, ou entretanto ficaram à distância, mas se mantiveram iguais.
ResponderEliminar... e o melhor das verdadeiras amizades é que não há nem tempo, nem distância que as faça desaparecer... e em cada reencontro é como se o tempo nem tivesse passado!
ResponderEliminarHá amizades que ficam e é tão bom que 10 anos depois ainda façam esses esforços para estarem juntas :)
ResponderEliminarÉ mesmo bom. Sentimos que realmente são pessoas valiosas que temos a sorte de ter na nossa vida.
ResponderEliminarAcredita. Estes últimos anos tenho estado com a S. e temos tentado com que a T. também se junte, já que está "perto". A H. é mais complicado, porque os Açores não são exatamente ali ao lado, mas andávamos a planear umas férias em conjunto para a irmos visitar. E mais cedo que o previsto, esta oportunidade. É bom demais. Estou em pulgas!!
ResponderEliminarNa faculdade também fiz duas grandes amizades que continuam bem presentes na minha vida, apesar das distâncias. Tentamos estar juntas pelo menos uma a duas vezes por ano,ora na casa de uma ora de outra. O que mais nos enche o coração, agora que todas somos mãe, é ver a amizade dos nossos filhotes.
ResponderEliminartambém tirei línguas e literaturas modernas na faculdade de letras de lisboa mas entrei em 91. e também continuo a manter uma relação estreita com as minhas amigas de então. fazes mto bem, a vida são 2 dias e as amizades são o melhor desta vida <3<3
ResponderEliminarAcredito. A sensação é mesmo boa. E reconfortante. Os amigos, daqueles bons e verdadeiros, são um bálsamo na vida.
ResponderEliminarQuase que me praxavas
ResponderEliminarÉ mesmo isso, a vida são dois dias e há que aproveitar, bem aproveitadas, estas oportunidades raras caídas do céu.
Oh e é tão bom! Amizades assim valem a pena :)
ResponderEliminarÉ tão bom termos alguém assim na nossa vida! A minha melhor amiga e hoje comadre, vem desde o nosso 5 ° ano.
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