Perceber, até percebo, mas custa a engolir!

Desde que terminei o curso que já trabalhei em muitos sítios. Pronto, alguns, vários. A recibos verdes, a contratos por empresas de trabalho temporário, e tem sido esta a saga.


Atualmente estou por regime de outsoursing. A alegria de me terem prolongado a estadia depois do termo do contrato nunca é completa, porque é sempre na alçada do serviço externo, prestadora de serviços, blá blá blá. Há anos que digo, meia a brincar, meia a sério, que para trabalhar visto a farda completa, mas para as regalias, não sou da empresa, não posso vestir a camisola. Não tenho direito. O meu vínculo contratual não é na empresa onde pico cartão todos os dias, cumpro horário e funções. 


Portanto ao longo dos anos foi-se tornando banal aquela coisa de só haver formações para colaboradores, os externos não podem. Cabazes de natal, jantares de natal, só para colaboradores, externos não são da empresa. 


Foi com grande surpresa que, quando entrei na atual empresa onde trabalho, vi que os temporários e externos eram convidados para a festa de natal, para o dia de aniversário da empresa, e levavam cabazes de natal iguais aos de todos os colaboradores. Fiquei deveras surpreendida. Nunca tinha tido esse direito antes.


Mas eis que este ano a política mudou, e volto a ser a prestadora de serviços externa que não tem direito a cabaz de natal.


Nada que já não tivesse vivido antes. Nada que não entenda, porque entendo: estas coisas são da empresa para os colaboradores, eu e outros colegas somos externos, o nosso vínculo contratual é com outra empresa.


Mas caramba, estou a sentir-me a criança a quem deram um doce e agora o arrancam das mãos.


Mais uma para a minha "coleção especial" de Natal: Christmas fucks



 


 

Comentários

  1. isso para mim é de um imenso mau gosto. e falta de respeito.

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  2. Sinceramente? Eu continuo sem entender... afinal o trabalho é feito para essa empresa que agora não te dá regalias...

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  3. Esquecem-se é que por vezes quem trabalha mais e se esforça mais, são esses mesmos, os externos, os que são postos de lado, só porque sim. Os da casa normalmente são os que se resignam os que não querem saber porque já têm os empregos garantidos e os externos são os que têm de dar diariamente provas como merecem o lugar, por caso contrário "venha outro".


    Por isso para mim isto é descriminação e descriminação é crime!...

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  4. É o ideal de igualdade elevado ao mais alto nível da sensibilidade humana.

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  5. O meu contrato é com uma empresa de outsoursing. Não me surpreende não ter direito ao cabaz de natal da empresa, já que eu sou prestadora de serviços e não colaboradora. O que custa a engolir é nos últimos dois anos estive por trabalho temporário e recebi o cabaz igual a toda a gente. Pronto, primeiro dá-se o doce à criança e depois arranca-se das mãos porque afinal não é da família. 

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  6. Ainda assim não me faz muito sentido, porque no fundo o teu trabalho é para uma única empresa...
    Mas tens razão, é pior tirar do que nunca ter recebido...

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  7. Oh minha querida Mula, tens toda a razão. Os externos todos os dias têm de provar o quão metódicos, trabalhadores e eficientes são, que não se enganam e erros não são admitidos. Aqui não é o caso, mas já estive em sítios que saía bem mais tarde, sem qualquer compensação extra. Cheguei ao cúmulo de pedir para sair a horas porque tinha uma consulta marcada para as 18h30. 
    Neste caso, deram nos anos anteriores de igual forma a colaboradores e externos e este ano tiram, assim. Não têm direito Não são da empresa. 
    É que hoje estou cá com uma vontade de trabalhar que nem te digo nem te conto. E pior é estar a levar com os colegas a reclamarem do cabaz: o bolo rei é pequeno, o bacalhau podia ser do demolhado, só três variedades de frutos secos, que pobreza. 
    Foda-se, choram de barriga cheia ao lado de pessoas que simplesmente não têm direito a receber o bolo rei pequeno, o bacalhau inteiro por cortar e demolhar, as três variedades de frutos secos, fora o resto, sim, porque é um cabaz bem recheadinho, com azeite, chouriça, queijo, aletria, ovos moles, etc etc...
    Estou com aquela sensação de dejà vu, quando nos natais em casa dos meus avós maternos havia sempre prendinhas e chocolatinhos para os meus primos e a mim... o meu pai que mos comprasse. 
    Detesto o natal! 

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  8. Já não basta não ter direito ao mesmo salário, ao mesmo subsídio de alimentação, a médico e a seguro de saúde, também não temos direito a um cabaz de natal. E ainda tenho de estar a ouvir os colegas a reclamar do que vem no cabaz: porque o bolo rei é pequeno, porque o peixe de bacalhau vem por cortar e demolhar, porque só traz três variedades de frutos secos, porque o diabo que os carregue, que choram de barriga cheia.

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  9. Só damos mesmo valor às coisas quando não as temos...

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  10. Pois assim é realmente complicado de gostar... 
    E depois ainda há esses realmente... os chorões de pança cheia... que irritação!... Enfim!


    Mas um dia terás a tua oportunidade de pertencer a algum lado verdadeiramente e trabalhares para uma empresa e vestires a camisola da empresa e seres reconhecia por isso. Vais ver! Pode ser que até seja uma prenda de natal atrasada... algures! Há que ter esperança! 

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  11. É triste essa realidade! Só confirma que tem uma falta de respeito com as pessoas, depois ainda querem que se vista a camisola?! Ahaha, deixa- me rir( not)

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  12. É triste mesmo, mas vamos fazer o quê?! Engolir em seco e siga. De preferência de sorriso amarelo no rosto, porque também não convém mostrar que se ficou desiludido ou magoado. 

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