Inspira-me, M.J.


 Querido Pai Natal


 


A tua brandura de barbas brancas, o teu olhar doce por trás desses oculinhos iguais à Avó do Capuchinho, esse pijama vermelho, que insistes em vestir, para não perder o patrocínio da Coca-Cola, ho ho ho para aqui, ho ho ho para ali, a lenda que desces pela chaminé na noite de Natal, deixas os presentes aos meninos bem comportados, comes as bolachinhas com leite que te deixam, isto tudo numa só noite, à volta do mundo inteiro. É magia!


A sério, Pai Natal, há uma coisa que há muito te quero dizer, que dizemos em surdina entre nós, que desvendamos às crianças e quebramos o encanto das prendas, mas a ti, só a ti, ninguém o diz. Todo o mundo sabe, menos tu. É cruel. 


Preparado? Senta-te, a tua idade já pesa nos joelhos e nos joanetes. Estou nervosa: como te vou dizer isto. É uma grande responsabilidade ser a portadora da verdade. Não te sintas ofendido. A verdade não tem de ferir. Inspiro, respiro, 1,2,3... Pai Natal, para teu próprio bem, para bem de todos, vê lá se mudas o pijama. 


 


 

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